Melhor uso de recursos naturais renderia US$2 tri para economia

Se as tendências atuais continuarem, o uso anual de recursos per capita crescerá mais de 70% em meados do século, alerta relatório da ONU

São Paulo – Escassez de água, poluição do ar e do solo, desmatamento, perda de biodiversidade, desertificação, bilhões de toneladas de resíduos descartados todos os anos…A lista crescente de problemas ambientais tem um denominador comum: o nosso padrão insustentável de produção e consumo.

É como se as gerações do presente estivessem escrevendo a fórmula para o caos na Terra daqui a algumas décadas. Não precisa ser assim. Tudo depende de como extraímos, usamos e descartamos os recursos naturais que o Planeta generoso nos oferta.

Um uso mais inteligente e eficiente, além de reduzir a pressão ambiental, pode trazer benefícios econômicos anuais da ordem de US$ 2 trilhões, superior ao PIB da Itália, revelam dados de um novo relatório produzido pelo Painel de Recursos Internacional, um grupo de especialistas em meio ambiente da ONU.

Segundo o estudo, com esse ganho econômico, o mundo poderia compensar os custos de implementação de medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Uma conta que não para de crescer

Ao longo dos últimos 50 anos, os seres humanos vêm alterando os ecossistemas em um ritmo mais acelerado e intenso do que em qualquer outro período da história humana.

Tendo em vista que a população global deverá crescer 28% até meados do século, a conta ecológica vai aumentar sobremaneira — estimativas apontam que 71% mais recursos per capita serão necessário até 2050.

Sem ações urgentes para aumentar a eficiência, a utilização global de metais, biomassa, minerais, areia e outros materiais aumentará de 85 para 186 bilhões de toneladas por ano até 2050, o que soma ainda mais para a dívida ecológica.

O relatório “Eficiência de Recursos: Implicações Potenciais e Econômicas”, lançado nesta semana na reunião do G20 em Berlim destaca que a utilização mais sustentável dos materiais e da energia não só cobriria o custos para manter o aquecimento da Terra abaixo de 2 graus Celsius, evitando os piores efeitos das mudanças climáticas, mas poderia contribuir para o crescimento econômico e a criação de emprego.

Por exemplo, entre 2005 e 2010, um programa britânico reciclou e reutilizou sete milhões de toneladas de lixo destinados ao aterro sanitário. Esse movimento evitou a emissão de seis milhões de toneladas de dióxido de carbono e poupou perto de 10 milhões de toneladas de materiais virgens e mais de 10 milhões de toneladas de água.

Também aumentou as vendas dos negócios em US$ 217 milhões, reduziu os custos empresariais em US$ 192 milhões e criou 8.700 postos de trabalho.

“Este é um ambiente ganha-ganha”, disse Erik Solheim, Chefe de Ambiente da ONU. “Usando melhor os recursos do planeta, vamos injetar mais dinheiro na economia para criar empregos e melhorar os meios de subsistência. E, ao mesmo tempo, criaremos os fundos necessários para financiar uma ação climática ambiciosa”.

Além de benefícios econômicos, a análise também mostra que a eficiência reduziria o uso de recursos globais em cerca de 28% em 2050 em comparação com as tendências atuais.

O relatório constatou, ainda, que os ganhos econômicos da eficiência dos recursos serão distribuídos de forma desigual. A extração mais lenta de recursos poderia reduzir as receitas e afetar os empregos em alguns setores, como mineração e pedreiras.

Mas mesmo com essas considerações, os países ganharão mais com a mudança de políticas para facilitar a transição para práticas mais eficientes do que por continuar a apoiar atividades predatórias.

Comentários

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  1. Luciano Leite Galvão

    Para resolver coisas desse tipo e de quebra acabar com a pobreza no planeta é preciso usar álgebra na economia e equalizar números para que as unidades produtivas não dependam somente de valores que provenham da produção. Só que para usar álgebra na economia é preciso acabar com a pilantragem e o dinheiro tem que ser o cartão de crédito com a função acumulada do certificado digital para desburocratizar e ao mesmo tempo unificar e dar mais segurança para transações que ao invés de troca de moeda por produto se tornaria contratos e puramente partidas dobradas.
    O governo deixaria de atuar como atua hoje para ocupar o papel de segurador e através da álgebra dá até mesmo para administrar governos sem cobrar impostos. Ficaria mais ou menos como o encilhamento, mas com regras matemáticas de equalização patrimonial e punições para quem inserisse números propositais para manobrar o sistema de forma ilícita. Isso faria dar condições para arrumar dinheiro para pesquisas e poderíamos criar seguro de qualquer coisa, sem cobrança de prêmio e impostos. A parte legal da coisa é o lastro algébrico. O mundo pode crescer em PIB, mas um dia ele chega no seu ideal, o mundo também pode crescer em riquezas física, mas também chega no seu ideal, e é diferente com os números. Quando o PIB e as riquezas chegarem no seu ideal a economia vai dar uma esfriada e o único meio de acumular patrimônio vai ser através dos números. Então por que não usar eles como o nosso seguro? Só que pra chegar a este patamar de capitalismo científico e matemático é preciso acabar com a pilantragem, porque dá errado e fica muito vulnerável para crápulas que eventualmente estejam no poder. E teria que ser arquitetado com a ajuda de um computador igual aquele usado para simular o clima do planeta e em conjuntos com todos os 193 ou 195 países do planeta.

  2. Luciano Leite Galvão

    “o membro que é afetado por um sinal de menos será aumentado e o mesmo adicionado ao outro membro, isto sendo álgebra; os termos homogêneos e iguais serão então cancelados, isto sendo al-muqâbala”