J. Safra vê IPCA acima da meta em março e BC puxando juros

A instituição esperava aumento de 0,50 ponto percentual na reunião dos dias 16 e 17 de abril, mas reviu o percentual para 0,25 - o BC puxando devagar os juros

O Banco J. Safra mudou sua projeção para a alta dos juros. Antes, a instituição esperava um aumento de 0,50 ponto percentual já na reunião dos dias 16 e 17 de abril, mas reviu o percentual para 0,25 ponto percentual, segundo relatório enviado aos clientes.

A equipe econômica do banco, chefiada pelo ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall, mudou a projeção após ouvir as declarações do diretor do Banco Central (BC), Luiz Awazu Pereira, de que a inflação tenderia a cair no segundo semestre, o que “sugeria uma possível postergação do ciclo de alta da Selic”, a taxa básica de juros brasileira.

Outro ponto analisado pelo banco foi o discurso do presidente do BC, Alexandre Tombini, durante almoço na Câmara Brasil-França na sexta-feira, no qual ele falou sobre o nível e resistência da inflação, e que “ações foram tomadas, mas é plausível afirmar que outras poderão ser necessárias”, acrescentado que o BC irá acompanhar o cenário econômico para tomar suas próximas decisões.

IPCA acima de 6,5% em 12 meses

Com a nova previsão, o J. Safra passou a esperar uma alta de 0,25 ponto em abril, mais duas de 0,5 ponto em maio e junho e, para finalizar, uma de 0,25 ponto em agosto, elevando a taxa básica dos atuais 7,25% ao ano para 8,75%.

A redução dos juros acompanha a revisão para baixo do IPCA deste mês. O J. Safra espera agora que o referencial das metas de inflação do BC feche março com alta de 0,50%, ligeiramente abaixo dos 0,54% projetados antes da divulgação do IPCA-15 do mês, que veio abaixo do esperado pela instituição. Apesar da queda da projeção mensal, o J. Safra espera que o IPCA supere o teto da meta de inflação do BC, de 6,5%, atingindo 6,62% nos 12 meses encerrados em março.

Mais estouro da meta em junho

Para abril, o banco espera um IPCA de 0,49%, sob os efeitos da desoneração da cesta básica. Pressionarão ainda o índice os efeitos sazonais do vestuário e o fim da queda dos preços da energia elétrica. Apesar da manutenção da inflação perto de 0,5%, o banco espera que o acumulado em 12 meses do IPCA volte a ficar abaixo da meta até junho, quando deverá voltar a superar os 6,5%.