Itaú Unibanco vê chances de Selic cair para 10% até final de 2012

Para instituição, Copom deve promover mais dois cortes de 0,50 pp até o fim do ano; se um cenário de inflação mais baixa se materializar, conselho deve buscar taxa de 10% no fim de 2012

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deverá promover mais dois cortes de 0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros até o final do ano, de atuais 12% para 11% ao ano. E se um cenário de inflação mais baixa se materializar, a autoridade monetária deverá buscar uma taxa de 10% no fim de 2012. As previsões constam de relatório em inglês assinado pelos economistas Ilan Goldfajn, Aurelio Bicalho e Caio Megale que o Itaú Unibanco enviou a seus clientes hoje.

Os economistas também fizeram para seus clientes uma avaliação sobre a decisão inesperada do Copom, que ontem cortou em 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros brasileira para 12% ao ano. De acordo com eles, a decisão surpreendeu não apenas o consenso entre os analistas, que esperavam que a taxa fosse mantida – o AE Projeções da Agência Estado consultou 72 analistas e todas esperavam manutenção da Selic – bem como o mercado futuro de taxas de juros, que teve um corte de preço de cerca de 0,25 ponto porcentual.

O Itaú Unibanco também chamou a atenção de seus clientes para o longo comunicado que seguiu ao término da reunião. “Na declaração, o comitê explicou a decisão como uma resposta à deterioração substancial nas perspectivas global, maior probabilidade de extensão da crise internacional, e o espaço limitado para a reação entre as economias avançadas”, escreveram no documento os três economistas do Itaú Unibanco.

Eles lembram que no comunicado o BC ressalta que o “cenário internacional manifesta uma tendência de desinflação no horizonte relevante”. Além disso, a “complexidade” no cenário internacional “vai contribuir para intensificar e acelerar o processo contínuo de moderação na atividade doméstica”.


Ainda de acordo com os três economistas do Itaú Unibanco, a decisão foi influenciada também pela intenção do governo de mudar a política fiscal, como um ingrediente importante para o balanço de riscos. “A política fiscal frouxa limitaria espaço para redução das taxas de juros”, concordam os economistas. No entanto, alertam, com IPCA ainda firmemente preso ao redor do topo da banda da meta, o mercado de trabalho apertado e o aumento substancial do salário mínimo para 2012, este cenário não pode mudar rapidamente. “Salvo uma grave ruptura global, esperamos que o IPCA para permaneça acima da meta, de 4,5%, no horizonte relevante”, dizem os economistas.

O BC, de açodo com os economistas do Itaú Unibanco, foi o primeiro a reduzir a taxa de juros de forma significativa entre as economias emergentes. “O BC parece preferir um caminho diferente do tomado em 2008, quando optou por esperar por evidências concretas de como a crise atingiria o Brasil antes de fazer uma jogada”, comentaram.