Itaú Unibanco não descarta PIB negativo no terceiro trimestre

Houve um aperto da condições financeiras em meio à temores de recessão global, guerra comercial e desaceleração da China

São Paulo – O Itaú-Unibanco não descarta que o Brasil tenha um resultado negativo do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano.

Os dados preliminares já disponíveis para o período de julho a setembro representam 15% do necessário para fazer a estimativa do PIB, explica o economista.

“Não dá para descartar um número negativo no terceiro trimestre, mas é preliminar”, diz Mário Mesquita economista-chefe do Itaú Unibanco a jornalistas nesta terça-feira (20).

Já para o segundo trimestre, a previsão do banco é que a economia tenha crescido 0,5% em relação ao anterior, puxada por industria de transformação e serviços. O dado será divulgado no dia 29, quinta-feira pelo IBGE.

“A economia não está contraindo nem acelerando”, disse.

O cenário é moldado pelo aperto das condições financeiras em meio a temores de recessão global, guerra comercial entre China e Estados Unidos e desaceleração do país asiático.

“Não acho que estamos em uma crise internacional, mas isso pode acontecer”, aponta Mesquita. “O BC está em condições de reagir a uma piora no ambiente externo cortando os juros, o que ele já começou a fazer”.

O período mais perigoso, segundo ele, podem ser os próximos dois os três trimestres, antes que o corte de juros realizado pelo Fed em 31 de julho seja sentido.

O economista nota que todos os países que trabalham com regime de meta de inflação cortaram os juros recentemente, com exceção da Colômbia, que deve anunciar um corte em breve.

Alem disso, a Alemanha indicou ontem que prepara um pacote de gastos para estimular o consumo no país. Nessa mesma esteira, o BC europeu deve lançar uma nova rodada de estímulos, colocando a taxa de juros em patamar negativo.

Problemas com a China afetam o Brasil tanto pelo canal da queda das exportações quanto pela queda do preço nas commodities, cujos valores são em grande parte definidos pela situação na China.

“O que acontece na China é muito mais importante para o Brasil do que está acontecendo com a Argentina”, disse Luka Barbosa, economista do Itaú-Unibanco.

Segundo ele, 30% das exportações do Brasil vão pra China, 20% pros Estados Unidos e apenas 5% para a Argentina.