IPCA no ano tem influência de serviços e administrados

Enquanto no ano passado os alimentos foram os principais vilões, a alta de 4,42% verificada no começo deste ano tem contribuição significativa de aumentos de custos

Rio de Janeiro – O perfil da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2011 está bem diferente do verificado em 2010, segundo avaliação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto no ano passado os alimentos foram os principais vilões, a alta de 4,42% verificada de janeiro a agosto deste ano tem contribuição significativa de aumentos no custo de serviços e nos preços de itens administrados.

“Outras questões também têm tido importância além dos alimentos, apesar de alimentos também estarem pressionando”, afirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE. “No ano, não há muitos itens alimentícios entre os primeiros da lista que têm pressionando a taxa (do IPCA). Há mais itens administrados e monitorados, como ônibus urbano, remédios, taxa de água e esgoto, e empregados domésticos, por causa do salário mínimo.”

O grupo alimentação e bebidas acumula uma alta de 3,51% em 2011 até o mês passado, variação superior apenas a dos grupos artigos de residência (1,39%) e comunicação (0,96%). No mesmo período, a expansão foi maior nos grupos habitação (4,37%), vestuário (5,17%), transporte (4,71%), saúde e cuidados pessoais (4,59%), despesas pessoais (6,13%) e educação (7,76%).

“Os serviços também têm tido influência muito forte sobre os resultados no ano. Em agosto, eles continuaram pesando”, ressaltou Eulina.

Na passagem de julho para agosto, ficaram mais caros os serviços de cabeleireiros (de -1,10 para +0,97%), bancários (de 0,03% para 0,17%) e cursos diversos (de 0,02% para 0,91%). Apesar de terem desacelerado, os serviços de empregados domésticos continuaram em alta (de 1,26% para 0,72%) na última leitura. “Os serviços aumentam em função da renda, que segue em alta”, explicou a coordenadora do IBGE.

IPCA de setembro

Alguns dos itens administrados já têm impacto previsto para a leitura de setembro da inflação medida pelo IPCA, informou o IBGE. De acordo com a coordenadora de Índices de Preços do instituto, ficarão mais caras as taxas de água e esgoto em São Paulo, com aumento de 6,83% a partir de 9 de setembro, e de energia elétrica no Distrito Federal, com incremento de 6,74% desde 26 de agosto.

“Como o aumento da energia elétrica no Distrito Federal foi no fim do mês, então o impacto fica quase todo em setembro”, explicou Eulina. “Quanto ao aumento da taxa de água e esgoto no Rio de Janeiro, de 8,8% desde 1º de agosto, falta ser repassado (para o IPCA) algo em torno de 1%”, disse.