IPCA deve seguir IGP-M e recuar em novembro, diz FGV

A projeção é do economista da FGV André Braz, ao analisar a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado

Rio de Janeiro – A inflação para o consumidor final calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tende a seguir a tendência de desaceleração demonstrada pelos indicadores de atacado da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a partir do fim de novembro.

A projeção é do economista da FGV André Braz, ao analisar a segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), divulgada nesta sexta-feira. A segunda prévia do IGP-M, que apresentou forte desaceleração da inflação – de 0,84% em setembro para 0,15% em outubro – veio na contramão do IPCA-15, que acelerou de 0,48% para 0,65%.

O resultado do IGP-M foi influenciado por recuos de preços no atacado, enquanto o IPCA-15 analisa, exclusivamente, as variações de preços no varejo. “A desaceleração do IGP-M antecipa uma mudança no movimento da inflação medida pelo IPCA. As condições dos preços para o consumidor não vão mudar prontamente em outubro. O IPCA deve repercutir apenas a partir do fim de novembro a desaceleração que o IGP-M antecipa”, disse Braz.

Na segunda prévia do IGP-M de outubro, a principal influência para a retração dos preços no atacado partiu da soja (de 4,56% para -5,56%). Além disso, entre os alimentos, foram destaques os comportamentos de preços do milho (de 1,44% para -3,91%) e das aves (de 6,19% para 1,84%).

Os produtos agrícolas e os seus derivados, que determinaram a alta dos indicadores de inflação ao longo de 2012, neste mês estão com os preços despencando, após a constatação de que a safra dos Estados Unidos não foi tão ruim quanto se esperava. As matérias-primas brutas, entretanto, não foram as únicas a influenciar a desaceleração do IGP-M na segunda prévia do mês. “Os produtos agrícolas e uma economia com pouco vigor devem resultar em taxas no atacado menores e IGPs mais baixos”, projetou o economista da FGV.

São exemplos os veículos pesados, cuja inflação passou de 1,45% para -0,28% e as utilidades domésticas (de 0,32% para -0,19%). “O Banco Central já começa a perceber de onde surgem as principais pressões inflacionárias. Isso dá um pouco mais de conforto para a execução da política monetária”, ressaltou Braz.I