IPCA de maio terá pressão de tarifas públicas

Reajustes de preços monitorados, como táxi,eletricidade e água e esgoto vão sustentar inflação

Brasília – A inflação de maio já virá pressionada pelo forte impacto de reajustes de preços monitorados, como táxi, energia elétrica e tarifas de água e esgoto. “Maio, pelos reajustes que já foram concedidos, é um mês que vai se caracterizar por aumentos de (preços) administrados”, disse Eulina Nunes dos Santos, gerente de pesquisas de preços do IBGE.

Além dos preços monitorados, com reajustes de tarifas já autorizados, os alimentos também devem exercer pressão importante na taxa de maio, com o repasse de aumentos de preços no atacado para o varejo, como o da carne.

“O trabalho do Banco Central vai ficar cada vez mais difícil no sentido de fazer um corte mais contundente na taxa básica de juros”, afirmou André Guilherme Pereira Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. “Acabou o período de boas notícias para o BC, no que tange à inflação.”

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que atingiu 0,64% em abril, não deve arrefecer muito em maio. A estimativa inicial de analistas é de uma taxa em torno de 0,5% na próxima leitura, segundo a avaliação do Top 5 (os cinco analistas que mais acertam nas projeções) do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira.


Reversão. Se a estimativa se confirmar, a taxa acumulada do IPCA em 12 meses vai antecipar a reversão da trajetória de convergência para o centro da meta estipulada pelo governo, de 4,5% em 2012. Ao abandonar a leitura de 0,47% do IPCA de maio de 2011, o indicador em 12 meses interromperia o movimento de desaceleração iniciado em outubro do ano passado.

Analistas esperavam que a retomada da inflação em 12 meses acontecesse apenas no segundo semestre.

“Maio vai concentrar mais reajustes de administrados do que abril. Todos esses itens, especialmente energia elétrica e taxa de água e esgoto são muito importantes nas despesas das famílias”, afirmou Eulina. Na direção oposta, deve haver algum alívio pela redução de 8,2% na tarifa de energia elétrica em Fortaleza a partir de 22 de abril e na redução da tarifa de telefone fixo, por força de decisão da Justiça após guerra de liminares.

Dólar. Além da pressão continuada dos aumentos de salários, que se refletem tanto no encarecimento da mão de obra quanto na maior demanda por serviços, a mudança de patamar do dólar, que chegou hoje a R$ 1,96, também ameaça a inflação.

“Em abril, o Banco Central interferiu 16 vezes no mercado à vista comprando dólares, mesmo quando a moeda americana já estava subindo”, lembrou Lima. “O efeito do dólar tem impacto direto na inflação no atacado. No varejo, o impacto é mais diluído.”