Investimentos do Brasil na China são modestos

Dos investimentos que entram na China, 0,04% vem do Brasil

São Paulo – Os investimentos do Brasil na China ainda são modestos, segundo Claudio Fischtak, consultor do Conselho empresarial Brasil-China. Dentre os investimentos brasileiros, 0,06% vão para a China. Isso representa 0,04% dos investimentos que entram no país.

O Conselho identifica 57 empresas brasileiras operando na China, a maior parte delas localizada em centros urbanos da costa leste. “Há uma intenção do governo chinês de interiorizar, ir para a costa oeste”, afirmou Fischtak, durante apresentação na 4ª Conferência Internacional do Conselho Empresarial Brasil-China, realizado hoje.

O fluxo dos investimentos chineses para o exterior é um fenômeno relativamente recente, que começou na década passada, segundo o consultor. Desde então, a China tornou-se o quinto maior investidor, com 5% do fluxo total de investimentos. No Brasil, as empresas chinesas anunciaram 60 projetos com valor total de cerca de 68 bilhões de dólares. Do total, 25 bilhões de dólares estão confirmados.

Fischtak lembrou que, em 2010, ocorreu um salto significativo e a China tornou-se um player importante nos investimentos diretos na economia brasileira. Os direcionamentos principais foram o fato de EUA e Europa terem se tornado alvos menos atraentes para os investimentos chineses desde as complicações de 2008 enquanto o Brasil tornou-se mais interessante. “O Brasil tornou-se mercado e plataforma de produção atraente, em decorrência da expansão da classe C”, disse. Soma-se a isso, fatores internos da própria China, como a necessidade de ter acesso aos recursos naturais – e o Brasil é uma das grandes plataformas de produção com base em recursos naturais.

A porta de entrada para as empresas chinesas no Brasil não costuma ser as aquisições, mas os novos investimentos. A exceção está na área de óleo e gás. Os investimentos das empresas chinesas tem foco na manufatura. Há poucos investimentos na área de agronegócios, segundo Fischtak. Os recursos mais recentes foram para a área de serviços.

“O investimento direto externo foi fundamental para os chineses aprenderem e caminharem na escala do desenvolvimento”, disse Fischtak. Até a década de 90, o país estava focado em aprender a fazer, na década seguinte, em aprender coisas mais complexas. Nos anos 2000 o foco passou a ser inovação, energias limpas, segurança alimentar.

O fluxo de comércio teve uma expansão muito rápida nos últimos anos, segundo Fischtak. A China tornou-se o parceiro comercial mais importante do Brasil. “Deve-se fechar esse ano em 78 bilhões de dólares”, disse.