Investidor de título público quis taxa maior em outubro

Segundo coordenador geral de operações da Dívida Pública, movimento reflete as expectativas dos agentes econômicos em relação a taxas futuras de juros

Brasília – O coordenador geral de operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, afirmou há pouco que as taxas de juros exigidas pelo investidor em outubro para adquirir títulos da dívida pública foram, em média, maiores do que em setembro.

Segundo ele, esse movimento reflete as expectativas dos agentes econômicos em relação a taxas futuras de juros.

“Se deve à conjuntura e a diversos fatores econômicos que influenciam a taxa de mercado”, afirmou. Garrido disse que as variações do custo médio de emissão não necessariamente refletem a volatilidade do mercado, mas pode refletir uma mudança de preço relativo.

Garrido diz que a expectativa é de continuidade de aumento gradual na participação de estrangeiros na Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que uma vez bateu recorde em outubro.

“A expectativa sempre é de continuidade de aumento gradual na participação desse tipo de investidor no que se refere a volume”, disse.

A participação subiu de 19,32% em setembro para 20,38% em outubro, somando R$ 417,87 bilhões, segundo os dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

Em setembro, o estoque estava em R$ 401,69 bilhões.

A categoria das instituições financeiras, por outro lado, teve queda na participação no estoque da DPMFi de 28,22% em setembro para 26,34% em outubro.

“Tradicionalmente os papeis prefixados de mais curto prazo ficam nas instituições financeiras. Dos títulos que venceram (em outubro), grande parte estava na carteira das instituições”, explicou.

O porcentual de vencimento da DPF para os próximos 12 meses, que caiu de 26,21% em setembro para 24,16% em outubro, ficou no mais baixo patamar desde fevereiro de 2012, quando estava em 22,40%, segundo o Tesouro Nacional.

Garrido acrescentou que, em outubro, o Tesouro não observou nenhuma dificuldade ou problema de rolagem da dívida.

Leilões

Garrido evitou avaliar se as eleições impactaram os leilões de títulos da dívida pública.

“A avaliação a respeito de impactos ou não da eleição eu prefiro não fazer. As conclusões ficam a cargo dos analistas”, disse.

“O que observamos é que os volumes emitidos, com exceção do dia 16/10, não tiveram nenhuma diferença significativa em relação a meses anteriores”, afirmou.

Garrido argumentou que o volume de emissões em outubro ficou em linha com o de outros meses e que apenas no dia 16/10 o leilão realizado pelo Tesouro teve emissão muito reduzida.

“Tivemos uma semana específica, no leilão de 16/10, em que a emissão de títulos foi muito baixa em função da volatilidade dos mercados internacionais”, disse, acrescentando que houve incerteza em relação ao comportamento do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

No leilão desse dia, o Tesouro fez emissão de LTN no valor de R$ 720 milhões, enquanto a média nas semanas anteriores gira em torno de R$ 4 a R$ 5 bilhões por leilão.

“Apesar desse evento no dia 16, a emissão foi em linha com o verificado em outros meses do ano”, reforçou Garrido.