Inflação cai para 0,16% em setembro e acumula 2,54% em 12 meses

No acumulado de 2017 até agora, a inflação está em 1,78%, a taxa mais baixa para o período desde 1998

São Paulo – A inflação no Brasil foi de 0,16% em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (06).

É menos do que os 0,19% de agosto, mas o dobro dos 0,08% registrados em setembro de 2016.

Com isso, o acumulado dos últimos 12 meses ficou em 2,54%, abaixo do piso da meta do governo que é de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (6%) ou para baixo (3%).

Se a inflação ficar fora da meta no balanço anual, o presidente do Banco Central terá de escrever uma carta aberta para o ministro da Fazenda explicando o porquê disso ter acontecido e o que será feito para mudar o cenário.

Isso aconteceu pela última vez em 2015. No ano passado, a inflação foi de 6,29% e última projeção de analistas consultados pelo BC é que a taxa de 2017 feche em 2,95%.

No acumulado de 2017 até agora, a inflação está em 1,78%. É a menor taxa para o período desde 1998 e muito abaixo dos 5,51% registrados entre janeiro e setembro de 2016.

Entre as razões apontadas por economistas estão a profundidade da recessão e o alto desemprego, que refletem em menor demanda pelos produtos e serviços e um menor espaço para aumento de preços.

Grupos

O litro da gasolina ficou em média 2,2% mais caro em setembro, puxando uma alta de 1,91% nos combustíveis.

Só este fator elevou, sozinho, a inflação em 0,10 ponto percentual, o maior impacto individual. O resultado foi influenciado pela política de reajuste de preços dos combustíveis dos últimos meses. 

Ainda assim, a alta do grupo Transportes foi amenizada de 1,53% em agosto para 0,79% em setembro, já a pressão extra da alta de impostos foi absorvida no mês anterior.

Outro item que pesou nos Transportes foram as passagens aéreas, que subiram 21,9% e tiveram sozinhas um impacto positivo de 0,7 ponto percentual na taxa mensal.

Dos 9 grupos pesquisados pelo IBGE, 7 caíram e só 2 aceleraram em setembro em relação ao mês anterior.

Alimentação e Bebidas, de longo o grupo com maior peso no índice, caiu pelo quinto mês seguido, mas o tombo de 0,41% em setembro foi menos profundo do que os -1,07% registrados em agosto.

“A safra do primeiro semestre foi o aspecto determinante para a diminuição no valor dos alimentos”, diz em comunicado Fernando Gonçalves, o gerente da pesquisa.

O grupo Habitação foi de 0,57% em agosto para -0,12% em setembro em grande parte devido a uma queda de -2,48% nas contas de energia elétrica.

Isso foi resultado principalmente da mudança na bandeira tarifária, que estava vermelha em agosto (com adicional de R$ 0,03 a cada Kwh consumido) e ficou amarela em setembro (adicional de R$ 0,02 a cada Kwh consumido).

Mas o grupo também teve impactos positivos. O gás de cozinha vendido em botijões de 13kg teve um reajuste médio de 12,20% em vigor desde 06 de setembro, causando uma alta de 4,81% no item.

Grupo Variação agosto, em % Variação setembro, em %
Índice Geral 0,19 0,16
Alimentação e Bebidas -1,07 -0,41
Habitação 0,57 -0,12
Artigos de Residência 0,20 0,13
Vestuário 0,29 0,28
Transportes 1,53 0,79
Saúde e cuidados pessoais 0,41 0,32
Despesas pessoais 0,29 0,56
Educação 0,24 0,04
Comunicação -0,56 0,50

 

Grupo Impacto agosto, em p.p. Impacto setembro, em p.p.
Índice Geral 0,19 0,16
Alimentação e Bebidas -0,27 -0,10
Habitação 0,09 -0,02
Artigos de Residência 0,01 0,00
Vestuário 0,02 0,02
Transportes 0,27 0,14
Saúde e cuidados pessoais 0,05 0,04
Despesas pessoais 0,03 0,06
Educação 0,01 0,00
Comunicação -0,02 0,02