Inflação: a tormenta passou?

A inflação ainda é uma ameaça? Hoje, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas divulga o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), um dos medidores da inflação que mede o custo de vida na cidade de São Paulo. A taxa é importante pois calcula os principais preços para a faixa de renda de 1 a 10 salários mínimos desde 1939. A expectativa é que, como outros medidores de inflação, os dados do IPC mostrem um arrefecimento. Analistas estimam que a variação mensal de setembro seja de -0,01% ante agosto. No ano passado o índice subiu 0,66% no mesmo período.

Essa expectativa segue uma tendência. Ontem, no Boletim Focus, os analistas consultados pelo Banco Central diminuíram a expectativa de inflação para o final do ano, de 7,34% para 7,25%. Para setembro do ano que vem, a expectativa caiu de 5,20% para 5,16%. Segundo análise do banco UBS, a inflação deve terminar o ano ainda mais baixa — na casa dos 7%, bem abaixo dos 10,7% do ano passado.

A redução deve ser puxada por quedas recentes no preço dos alimentos. Produtos como leite (alta de 18%) e feijão (alta de 32%) foram os maiores vilões da inflação até agosto. O IPCA-15, divulgado na semana passada pelo IBGE, apontou para uma deflação de 0,01% no preço dos alimentos em setembro. “Um dos motivos que vai ajudar a segurar os preços é a falta do El Niño, que no final de 2015 reduziu os estoques de alimentos por causa das chuvas”, diz o economista Thiago Carlos, do UBS.

Com uma combinação que ajuda a enfraquecer a inflação — preço da gasolina sob controle, normalidade no preço dos alimentos, apreciação cambial — a queda na inflação engrossa o coro pela redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. Para Carlos, há espaço para o corte dos juros já na reunião de outubro do Comitê de Política Econômica (Copom). “Prevemos Selic de 10,5% no ano que vem”, afirma. Ou seja: ainda estamos longe da meta de inflação do Banco Central, mas caminhamos a passos rápidos para voltar à normalidade.