Indústria quer flexibilidade para negociar com Europa

O acordo Mercosul-UE está sendo negociado há mais de uma década, sendo retomado em 2010, após seis anos parado, apesar de não ter avançado

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu nesta quinta-feira uma flexibilização do Mercosul que permita aos países-membros do bloco regional fechar acordos de livre-comércio, principalmente com a União Europeia (UE).

“Acreditamos que o Brasil tem que encontrar uma solução flexível que dê direito aos membros do Mercosul a caminhar segundo seus interesses” na negociação de acordos comerciais, disse o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, em entrevista a correspondentes estrangeiros.

Uma cláusula do Mercosul (que reúne Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela e o Paraguai temporariamente suspenso), obriga seus membros a negociar em bloco acordos de livre comércio com outros países ou regiões.

Contudo, os interesses dos membros do Mercosul nem sempre coincidem, destacou o industrial.

“Talvez possamos iniciar uma negociação parcial, ou seja, o Brasil está interessado agora, então, se os outros países permitirem, começamos nossa negociação e os outros virão à medida que lhes interesse”, disse.

“O Brasil está em uma situação muito delicada, tem que encontrar novos mercados e eles têm que ser encontrados com as vantagens e facilidades que um acordo de cooperação proporciona, porque hoje estamos cercados por países que têm esses acordos e nos tiram competitividade”, disse.

Abijaodi pediu para “encontrar diplomaticamente uma forma dentro do Mercosul”.

Os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, pediram em uma reunião com o Brasil no final de janeiro uma rápida conclusão do acordo Mercosul-UE.

Este acordo está sendo negociado há mais de uma década, sendo retomado em 2010, após seis anos parado, apesar de não ter avançado.

A Europa é um dos grandes mercados para as indústrias brasileiras.