Indústria brasileira cai em outubro, e endossa economia mais fraca

A atividade industrial caiu 0,6% em outubro ante setembro e segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Rio de Janeiro – A produção industrial brasileira caiu mais do que o esperado em outubro, endossando a percepção de que a atividade econômica está esfriando, o que pode ser confirmado nos números do Produto Interno Bruto (PIB) a serem divulgados na próxima semana.

A atividade industrial caiu 0,6 por cento em outubro ante setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira. Foi a terceira baixa seguida nesse tipo de comparação, com a indústria acumulando perda de 2,6 por cento no período.

Em relação a outubro de 2010, a produção teve baixa de 2,2 por cento, acelerando a retração ante o mês anterior, quando recuou 1,6 por cento.

Economistas consultados pela Reuters esperavam queda de 0,20 por cento e de 1,45 por cento, respectivamente, segundo a mediana das projeções.

O dado de setembro ante agosto foi revisado e mostra uma queda menor, de 1,9 por cento, ante 2,0 por cento.

Os resultados de outubro reduziram ainda mais a alta da produção industrial acumulada em 12 meses, que passou de 1,6 por cento em setembro para 1,3 por cento. A evolução do índice de média móvel trimestral reforçou esse quadro de menor dinamismo, ao cair 0,9 por cento nos últimos três meses até outubro. Em setembro e agosto, as quedas haviam sido de 0,6 por cento e 0,4 por cento, respectivamente.

A indústria é um dos setores que mais têm sido golpeados pela recente desaceleração da economia brasileira, provocada sobretudo pelo agravamento da crise de dívida na zona do euro.

A expectativa é de que os números do PIB a serem divulgados pelo IBGE em 6 de dezembro mostrem estagnação ou uma leve queda no terceiro trimestre, algo já sugerido pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), que funciona como um sinalizador do comportamento do PIB e acusou queda de 0,32 por cento entre julho e setembro.


Numa tentativa de proteger a atividade doméstica das intempéries externas, o governo anunciou na véspera um pacote de medidas para estimular o consumo, poucas horas após o BC ter implementado o terceiro corte seguido da taxa básica de juros, o que também tende a alimentar o consumo.

A LCA Consultores, contudo, afirma ser difícil mensurar o impacto dessas medidas sobre a economia. Isso ocorre, segundo a consultoria, por uma eventual antecipação da demanda e a um equilíbrio na dinâmica das vendas, que poderia reduzir o consumo de outros béns duráveis não contemplados nas medidas da véspera.

“Portanto, o desempenho das vendas de duráveis no Natal vai ser crucial para aquilatar os efeitos das medidas anunciadas sobre o crescimento do setor fabril no começo de 2012, afirmou a LCA em relatório.