Indústria brasileira apresenta plano para abraçar as novas tecnologias

“A revolução não está ali na esquina. Temos tempo para nos preparar, mas o tempo é curto”, diz coordenador do Indústria 2027, apresentado hoje em São Paulo

São Paulo – “Chega de visão de curto prazo. Temos que ter visão de longo prazo”, diz Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e professor da Unicamp.

Ele participou nesta sexta-feira (18) do EXAME Fórum Inovação, realizado por EXAME e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o tema A Indústria do Futuro.

O evento serviu para apresentação do Projeto Indústria 2027, coordenado por Coutinho e por João Carlos Ferraz, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O projeto tem 2.200 páginas e estará disponível online na semana que vem. Seu objetivo é entender as inovações disruptivas, seus riscos e oportunidades, e dar subsídios para politicas públicas.

Pedro Wongtschowski, vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Ultra e líder da MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), classificou a iniciativa como “inédita e crucial”.

O esforço é espelhado em várias iniciativas internacionais ambiciosas, em países como Estados Unidos e Japão, de recursos maciços para adaptação ao novo cenário tecnológico da Quarta Revolução Industrial.

“Não podemos cair na armadilha de reinventar a roda”, disse Coutinho. “Temos que partir dos nossos legados, forças e fraquezas”, completa, destacando o valor de “construir uma visão nacional comum”.

Uma referência importante é o Made in China 2025, anunciado em 2015 com o objetivo de sofisticar o perfil da manufatura econômica chinesa, agregando mais valor tecnológico e criando marcas globais.

Também foi citada a Alemanha, onde o plano destaca a importância de que pesquisa e desenvolvimento aconteçam também nas pequenas e médias empresas.

Nem todo mundo vai se adaptar ao mesmo ritmo e intensidade e qualquer plano deve contemplar essa realidade.

“Nós não temos a indústria somente na ponta e essas tecnologias não devem servir só para as indústrias que estão mais avançadas”, diz Ferraz. Mas afinal, que tecnologias são essas?

Alguns exemplos: inteligência artificial, internet das coisas, nanotecnologias, biotecnologias, tecnologias genômicas, novos materiais e armazenamento de energia.

Duas características unem todas elas: custos em queda e mercados em expansão. A aplicação prática, no entanto, ainda é gradual:

“A revolução não está ali na esquina. Temos tempo para nos preparar, mas o tempo é curto”, diz Ferraz. Essa preparação, segundo o projeto, envolve várias frentes.

Coutinho destacou a necessidade de “evoluir de centros de formação para centros de aprendizado”, incluir as tecnologias digitais em todos os níveis de governo e de atualizar uma série de marcos legais para dar segurança jurídica.

Também é necessário um ambiente econômico mais estável e animador do que o atual, ponto também martelado por Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e atual ministro de Ciência e Tecnologia.

“É óbvio que se você tem um contexto macroeconômico favorável estes processos são muito mais fáceis”, diz Coutinho.

Ele destacou também a necessidade de garantir e dar previsibilidade aos recursos federais para o setor, lamentando que o orçamento federal para Ciência e Tecnologia seja hoje menos da metade do de 2013.