Vendas internas de aço devem cair 8,9% em 2014, diz IABr

O IABr estima que o consumo aparente de aço deverá ficar em 24,741 milhões de toneladas, queda de 6,4% ante 2013

Rio – A produção de aço bruto no Brasil deverá subir 0,1% neste ano em relação a 2013, para 34,206 milhões de toneladas, de acordo com expectativa divulgada nesta quarta-feira, 26, pelo Instituto Aço Brasil (IABr).

Em estimativa divulgada em agosto, a entidade aguardava redução de 2,5% ante 2013.

As vendas internas, por sua vez, deverão atingir 20,769 milhões de toneladas, recuo de 8,9% na comparação anual.

O IABr estima que o consumo aparente de aço deverá ficar em 24,741 milhões de toneladas, queda de 6,4% ante 2013.

As exportações deverão somar 9,755 milhões de toneladas neste ano, crescimento de 20,6%. Já as importações devem subir 9,7%, para 4,064 milhões de toneladas, na mesma base de comparação.

O aumento das exportações projetado para o ano, segundo o IABr, deverá ocorrer não por melhora do mercado internacional, mas por conta do religamento do alto forno número 3 da ArcelorMittal Tubarão, em julho passado.

Para 2015, o IABr espera, “num processo ainda modesto de recuperação”, aumento de 4,0% nas vendas internas, para 21,6 milhões de toneladas.

Ainda assim, o montante representará perda de 5,6% em relação a 2013.

O consumo aparente também deve aumentar em 2015, para 25,2 milhões de toneladas.

O volume deve ser 2,0% maior do que neste ano, mas manterá perda de 4,7% em relação a 2013.

Capacidade instalada

Além do excedente de oferta de aço no mundo, a falta de competitividade da indústria brasileira tem contribuído negativamente para a atividade do setor, afirmou o presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes.

“O resultado é que, em vez de estar operando com 80% da capacidade, estamos com média de 69% da capacidade instalada, obviamente trazendo reflexos bastante ruins para a indústria”, afirmou.

Segundo Lopes, não só a siderurgia, mas a indústria de transformação como um todo tem enfrentado obstáculos.

“A razão disso é a chamada perda de competitividade sistêmica, ou seja, fatores externos ao controle das empresas, que retiram do aço e de toda a cadeia a capacidade de competir com o mercado”, disse o executivo.

O câmbio foi mencionado como um dos principais vilões da competitividade.

Caso não haja mudanças ou correções de assimetrias no mercado e o ritmo de vendas e produção se mantenha nos próximos anos, o IABr estima que, em 2023, 53% do consumo de aço brasileiro virá de importações.

“Se não fizermos nada, este país se transformará em importador de aço, com reflexo em geração de empregos e na indústria”, afirmou o presidente do Conselho Diretor do IABr, Benjamin Mário Baptista Filho.

Segundo ele, cada emprego gerado na siderurgia é responsável por outros 23 postos de trabalho abertos na cadeia produtiva.