Habitação puxa alta de 0,11% do IPCA em agosto; alimentos recuam

Apesar da alta no mês passado, a inflação em 12 meses segue abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central para este ano (4,25%)

São Paulo — A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou agosto com alta de 0,11%, ante um avanço de 0,19% em julho, informou nesta sexta-feira, (6), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de agosto é a mais alta para o mês desde 2017 (+0,19%). Em agosto de 2018, o IPCA havia mostrado deflação de 0,09%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA teve alta de 3,43%, contra 3,22% até julho e ligeiramente abaixo da taxa de 3,44% apurada em pesquisa Reuters. A taxa de 12 meses até agosto é a mais alta desde maio (4,66%).

No acumulado de 2019, o índice sobe 2,54%.

Apesar da alta no mês passado, a inflação em 12 meses segue abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central para este ano (4,25%).

“Em 12 meses (o IPCA) subiu um pouco agora por conta de uma troca de taxa: saiu uma taxa de -0,09% em agosto de 2018 e incluiu uma taxa positiva de 0,11%”, disse Pedro da Costa, gerente do IPCA.

Entre julho e agosto, houve deflação em três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, com Alimentação e bebidas (-0,35%) e Transportes (-0,39%) retirando, juntos, 0,16 ponto percentual do índice cheio.

Entre as altas, destaque para o grupo Habitação (+1,19%), que, sozinho, adicionou ao IPCA 0,19 ponto percentual, na maior influência de alta para o índice.

O principal impacto positivo no índice foi levado pelo aumento de 3,85% na energia elétrica, ressalta o IBGE. Em agosto, entrou em vigor a bandeira vermelha nas contas de luz, que acrescenta cobrança de R$ 4,00 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, destaca o instituto.

Analistas preveem que o patamar da inflação permanecerá abaixo desse alvo ao fim do ano, o que abriria espaço para mais cortes de juros pelo Banco Central.

Na véspera, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que a inflação está “sob controle” e “bem ancorada no curto, médio e longo prazos”.

Apesar da alta do dólar , mesmo as inflações implícitas em títulos públicos e derivativos de mercado têm se mantido abaixo da meta.

 

Grupo Variação (%)
Julho Agosto
Alimentação e Bebidas 0,01 -0,35
Habitação 1,2 1,19
Artigos de Residência 0,29 0,56
Vestuário -0,52 0,23
Transportes -0,17 -0,39
Saúde e Cuidados Pessoais -0,2 -0,03
Despesas Pessoais 0,44 0,31
Educação 0,04 0,16
Comunicação 0,57 0,09
Grupo Impacto (p.p.)
Julho Agosto
Alimentação e Bebidas 0 -0,09
Habitação 0,19 0,19
Artigos de Residência 0,01 0,02
Vestuário -0,03 0,01
Transportes -0,03 -0,07
Saúde e Cuidados Pessoais -0,02 0
Despesas Pessoais 0,05 0,04
Educação 0 0,01
Comunicação 0,02 0