Guedes quer pacto federativo e reforma tributária aprovados no 2º semestre

Ministro da Economia também criticou "amarras orçamentárias", que fixam valores para serem gastos em determinadas áreas

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que no segundo semestre deste ano o governo vai fechar o pacto federativo, que dá maior autonomia aos Estados, e aprovar no Congresso a reforma tributária, o que deve ajudar a destravar a economia.

Ele deu como exemplo de problema das amarras orçamentárias, que também atingem o governo federal, informando que o ministro da Justiça, Sergio Moro, quer R$ 500 milhões para a Força de Segurança Nacional, mas tem R$ 1,5 bilhão para construir penitenciárias e não pode utilizar esses recursos para outra finalidade.

“Ele não pode colocar a mão, quem disse que ele quer fazer penitenciária? Não pode isso…”, declarou durante palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Segundo o ministro, “para ver onde chegou o manicômio tributário”, as igrejas não podem ser tributadas, mas gastam dinheiro para poder manter o governo informado das suas contas. “A multa se a igreja não informar é de R$ 40 mil”, informou.

Ele reafirmou a intenção do governo de “disparar o canhão da privatização”, e, sem dar detalhes, disse que “vem empresa grande por aí”.

Petrobras

O ministro também afirmou que a Petrobras tem feito suas vendas para focar na extração do petróleo, que, segundo ele, foi deixado no fundo do mar e em alguns anos pode não valer mais nada.

“O petróleo está no fundo do mar, pode ser que daqui a 20 ou 30 anos o carro vai ser elétrico e o petróleo pode ficar sem valor. Então, estamos trabalhando a mil por hora para focar a Petrobras na extração do petróleo”, afirmou Guedes.

O ministro também disse que confia no sucesso do governo Bolsonaro por perceber um amadurecimento do Congresso e confiar integralmente no mandatário da nação. Segundo Guedes, Bolsonaro “não sabe falar inglês, mas é um homem de bons princípios”.

“Acredito no presidente (Bolsonaro), ele é um homem de coragem, de determinação e de princípios morais”. Segundo o ministro, se preocupam com maus modos de Bolsonaro, mas “está cheio de gente por aí com ótimos modos e péssimos princípios”.

Guedes afirmou também que confia no Congresso Nacional para aprovar as matérias que o governo tem interesse, como as reformas da Previdência e Tributária, avaliando que o parlamento também amadureceu. “Somos uma sociedade em amadurecimento”, afirmou.

“Choque de energia barata”

O ministro da Economia disse que o “choque de energia barata” buscado pelo governo, que pretende reduzir o preço das tarifas residenciais e empresariais, tem capacidade para promover uma reindustrialização do Brasil.

“A energia barata pode permitir reindustrializar o País. Podemos conseguir mais 10% de PIB, Produto Interno Bruto, industrial ao final de dez anos”, discursou Guedes para empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Segundo o ministro, um estudo feito pelo economista Carlos Langoni – diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas e conselheiro informal de Guedes – aponta que o preço do gás pode cair em 40% em dois anos.

Guedes comemorou algumas boas notícias dos primeiros sete meses de governo, como avanços em negociações internacionais e acerca da cessão onerosa, além da queda nos juros, medidas em prol da competitividade e liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“Ao contrário de Temer, que soltou só contas inativas, estamos soltando também as ativas”, ponderou Guedes. “A gente não quer atingir a construção civil. Calculamos o limite de saque exatamente para não pegar a construção civil”, completou.

Presente ao evento, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, complementou a defesa de Guedes sobre redução de tarifas e privatizações.

“Sou obcecado por energia barata, sou um dos maiores obcecados por privatizar”, afirmou o governador, dizendo que avançará com a privatização da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro) assim que for concluída a mudança no marco regulatório do setor.