Guedes defende nova CPMF: até traficante paga

Segundo o ministro da Economia, uma nova CPMF, de 0,2%, passaria despercebida, e seria paga por todos, "até por um traficante de drogas e armas"

São Paulo – O ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a criação de um novo imposto ao estilo da antiga CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) em discurso aos empresários e executivos presentes na premiação de Melhores e Maiores de EXAME, nesta segunda-feira (26).

“O que você prefere, os encargos trabalhistas ou desonerar a folha e pagar esse imposto horroroso sobre transação financeira? Escolhe.” Ele disse que esse novo imposto teria alíquota baixa, de 0,2%, e que até “traficante de arma paga, traficante de droga paga”.

O ministro voltou a defender a desindexação de todas as despesas de todos os entes da federação, união, estados e municípios. “Claro que os governadores e a classe política gostam de defender a Federação. Mas é um crime contra o Brasil não aproveitar o mais rápido possível os recursos como pré-sal e do gás para transformar investimentos para o Brasil.”

Precisamos, diz Guedes, de um estado que se desloque do governo central para estados e municípios, e que foque em saúde e educação e que deixe para os outros entes e para a iniciativa privada os investimentos. “Precisamos da autorização para acelerar as privatizações. ”

Em contrapartida, disse o ministro, precisamos liberar estados e municípios a gastar no que é mais importante. “O dinheiro está todo carimbado, o que inviabiliza a gestão. ”

A maior inspiração para o ministro é o modelo americano e a Alemanha, em que a principal atividade política é discutir os orçamentos públicos. “O estado está maduro para isso”, afirmou. “Estamos confiantes que temos apoio da câmara e do Senado, apesar do barulho que chega. Temos uma aliança de centro-direita, com a esquerda isolada”. Vêm aí, segundo Guedes, MP atrás de MP, como a do saneamento, que permitirá uma onda de investimentos privados.

Após uma hora de discurso, Guedes foi aplaudido pelo público de Melhores e Maiores. Agora é transformar as altas expectativas em crescimento econômico. “Vai dar tudo certo e sairemos melhores e maiores. ”