GB descarta acordo sem cortes no orçamento da UE

Cameron deixou claro, mais uma vez, em sua chegada ao Conselho Europeu que não está disposto a ceder em sua demanda de mais austeridade

Bruxelas – O primeiro-ministro britânico, David Cameron, alertou nesta quinta-feira que “não haverá acordo” sobre o orçamento plurianual da União Europeia (UE) se não houver cortes na cifra total.

Cameron deixou claro, mais uma vez, em sua chegada ao Conselho Europeu que não está disposto a ceder em sua demanda de mais austeridade na primeira reunião com seus sócios europeus desde que anunciou a organização de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE antes do final de 2017.

“Quando estivemos aqui no ano passado em novembro, os valores que foram apresentados eram muito altos. Devem cair e se não forem reduzidas, não haverá acordo”, afirmou Cameron, que mantém relações cada vez mais complicadas com a maioria do bloco.

“Francamente, a UE não deve ser imune às pressões que temos para reduzir o gasto”, acrescentou o premiê conservador, cujo país se encontra à beira de uma recessão e imerso em um severo plano de ajuste para reduzir um déficit excessivo.

Antes da abertura oficial da reunião, Cameron se reuniu com a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês François Hollande e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que tenta aproximar posições muito divergentes.


Uma porta-voz do primeiro-ministro britânico disse esta manhã que um acordo era possível, embora tenha admitido que seria difícil.

Na reunião de novembro, a primeira dedicada ao orçamento comunitário para 2014-2020, que fracassou, Van Rompuy apresentou aos 27 presidentes do bloco uma proposta revisada de um total de 973 bilhões de euros, quase 80 bilhões a menos que o projeto inicial da Comissão Europeia.

Sob pressão do Reino Unido e de outros contribuintes, como Holanda ou Suécia, Van Rompuy colocará sobre a mesa um corte adicional de mais de 15 bilhões de euros em relação ao projeto anterior.

Cameron busca reduzir a quantidade destinada à Política Agrícola Comum (PAC), que representa cerca de 40% do orçamento e outras questões como as de política externa do bloco ou funcionários europeus.

Ao mesmo tempo, contudo, deseja manter intacto o chamado “cheque britânico”, a compensação de que o Reino Unido se beneficia desde a época de Margaret Thatcher em troca do pouco que recebe da PAC.


O Reino Unido não está sozinho na defesa de uma maior austeridade, pois conta com o apoio da Holanda, Suécia e outros contribuintes do orçamento europeu, inclusive da Alemanha, apesar de o país não ir tão longe.

Contudo, as exigências britânicas são rejeitadas pelos chamados amigos da coesão, liderados pela França e Itália, que alertam que uma austeridade excessiva prejudicará o crescimento e impedirá a recuperação econômica dos países mais atingidos pela crise.

“Não é possível que um país defina o destino dos outros 26”, disse esta semana Hollande, que também foi o mais crítico após a arriscada aposta formulada por Cameron em seu antecipado discurso de 24 de janeiro.

Cameron anunciou, então, aos britânicos sua intenção de renegociar as relações de seu país com Bruxelas para repatriar certas competências e submeter o novo acordo à votação entre os britânicos, cada vez mais eurocéticos, apresentando abertamente, pela primeira vez, uma saída da UE.