G20 apoia plano para sanear bancos espanhóis

Após constatar que as eleições gregas não dissiparam as dúvidas dos mercados, o prêmio de risco disparou até os 574 pontos básicos

Los Cabos – O G20 apoiará em sua declaração final após a cúpula de Los Cabos, no México, o plano para recapitalizar as instituições financeiras da Espanha, que viveu um dia negro nos mercados nesta segunda-feira, quando o prêmio de risco do país atingiu altas históricas.

”Estamos convencidos de que a situação atual de penalização dos mercados que estamos sofrendo hoje não corresponde nem com os esforços nem com a potencialidade da economia espanhola, e que isso é algo que será reconhecido nos próximos dias ou nas próximas semanas”, disse pouco antes de começar a cúpula o ministro da Economia, Luis de Guindos.

Após constatar que as eleições gregas não dissiparam as dúvidas dos mercados, o prêmio de risco disparou até os 574 pontos básicos e o bônus espanhol a dez anos ficou em 7,15%, De Guindos quis deixar claro que ”Espanha é um país solvente” e que mantém seu compromisso com a redução do déficit público e as reformas estruturais.

Este é a mensagem que defenderá o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, no plenário da cúpula que reúne as principais economias do mundo e os países emergentes, onde defenderá também que a União Europeia (UE) promova uma maior integração fiscal e bancária.

Seu desejo foi registrado na minuta de conclusões da cúpula, no qual os parceiros do euro se comprometem a ”melhorar o funcionamento dos mercados financeiros e romper a vinculação entre o risco bancário e o risco soberano”.


Segundo o texto, o G20 apoia que a zona do euro dê ”passos concretos para uma arquitetura financeira mais integrada, combinando a supervisão bancária, a liquidação e capitalização (das instituições), e um seguro de depósitos”, eixos do que seria, segundo a Espanha, a desejada união financeira da eurozona.

”Damos as boas-vindas ao plano da Espanha para recapitalizar seu sistema bancário”, acrescentou o documento.

De Guindos considerou que a Espanha corrigiu seus principais ”desequilíbrios”, no âmbito imobiliário e bancário, e se mostrou convencido de que os esforços realizados começarão a dar frutos em breve.

O ministro não revelou se o governo adotará algumas das reformas propostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), como a alta do IVA e os impostos especiais.

De Guindos, que se reuniu em Los Cabos com a diretora-gerente da instituição, Christine Lagarde, disse apenas que o governo ”olha com atenção e considera” todas as recomendações que recebe de diferentes organismos internacionais, como o FMI, a Comissão Europeia e a OCDE.


Entre os pontos positivos da economia espanhola, o ministro destacou sua capacidade de crescimento, a força de suas empresas, o superávit comercial com a zona do euro e a rápida redução do déficit exterior, até chegar a uma situação ”praticamente de equilíbrio”.

De Guindos acredita que do G20 sairá uma mensagem ”muito conclusiva” em prol da correção dos desequilíbrios e das reformas econômicas, não só na Europa, pois agora seria iniciada uma etapa de desaceleração da economia mundial que afetaria também os Estados Unidos e os países emergentes.

Esta noite, Rajoy participará de uma reunião com o presidente americano, Barack Obama, e os sócios europeus membros do G20: a chanceler alemã, Angela Merkel; o presidente francês, François Hollande, e os primeiros-ministros da Itália, Mario Monti, e do Reino Unido, David Cameron.

Também estarão na reunião o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.