G20 pressionará UE a elevar recursos para combate à crise

‘Eles precisam assumir um grande compromisso e ainda não vimos isso’, disse o representante de um país

Washington – Os países integrantes do G-20 vão adiar qualquer compromisso relacionado a um aumento na base de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para tentar pressionar a União Europeia a elevar o poder de fogo do mecanismo de resgate da zona do euro, segundo fontes.

No final desta semana, autoridades financeiras das nações que integram o grupo das 20 principais economias do mundo (G-20) vão se reunir no México para discutir se o FMI precisa de mais recursos para lidar com um eventual agravamento da crise das dívidas soberanas europeias. Os EUA, o Japão, o México e outros membros da associação, no entanto, querem que a Europa gaste mais do próprio bolso para combater a crise antes de receber ajuda do fundo.

“Queremos uma barreira mais forte” na Europa, disse o representante de um país do G-20 no FMI. “Eles precisam assumir um grande compromisso e ainda não vimos isso”, acrescentou.

O FMI está tentando levantar US$ 600 bilhões para aumentar sua capacidade de financiamento para US$ 900 bilhões. Atualmente, o órgão possui cerca de US$ 380 bilhões disponíveis para empréstimo, quantia que considera insuficiente para cobrir as potenciais necessidades de empréstimo dos países europeus caso a crise piore na região.


O Departamento do Tesouro dos EUA afirmou que não vai dar mais dinheiro ao FMI e incentivou países como a China, o Japão e o Brasil a não se comprometerem firmemente com a liberação de mais recursos antes de a Europa reforçar seus mecanismos internos de resgate.

O comissário da União Europeia para Assuntos Econômicos e Financeiros, Olli Rehn, disse esperar que a zona do euro chegue a uma decisão sobre o assunto em reuniões previstas para março, o que abriria espaço para “a conclusão do debate sobre mais recursos para o FMI” em abril, quando representantes do G-20 devem se reunir em Washington.

A maioria dos recursos do FMI já está concentrado na Europa por causa dos empréstimos do fundo a Portugal, Grécia e Irlanda. Os EUA, único membro do FMI com poder de veto, acreditam que o órgão ficaria exposto demais à crise da zona do euro caso seja necessária a adoção de programas de ajuda para grandes economias da região, como a da Espanha e a da Itália. As informações são da Dow Jones.