Fórum Econômico Mundial: mais fair play e menos protecionismo

Segundo participantes, cooperação entre países é essencial para manter desenvolvimento global

Na abertura oficial do Fórum Econômico Mundial na América Latina, que acontece nesta quarta e quinta-feira, em São Paulo, Pelé recebeu o Prêmio de Cidadão Global por seu trabalho na divulgação do esporte, do futebol e pelo trabalho como embaixador da Unicef. O prêmio foi entregue por Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum, que aproveitou a presença de Pelé para enviar uma mensagem no momento em que mundo está à beira de uma guerra comercial: “Precisamos de mais fair play (jogo limpo) no comércio mundial. É esse espírito de competição colaborativa que precisamos no mundo hoje em dia”.

No dia 8 de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma sobretaxa de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados. A medida provocou respostas imediatas dos governos ao redor do mundo. A União Europeia, por exemplo, afirmou que irã sobretaxar, em retaliação, as motos da marca Harley-Davidson e jeans Levi’s, além de outros produtos.

Como não poderia deixar de ser, a taxa do aço é o assunto mais falado neste primeiro dia de Fórum. Provocados a falar sobre o assunto por Schwab, o presidente Michel Temer e o ministro das relações exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, não descartaram entrar com uma representação conjunta na Organização Mundial do Comércio ao lado dos outros países prejudicados.

A medida seria colocada em prática se as pressões feitas pelas empresas brasileiras e americanas no Congresso Americano falhassem. O argumento usado é que o aço feito no Brasil é semi-manufaturado. Ele segue em placas para ser finalizado como aço plano nos Estados Unidos. Além disso, o Brasil é grande importador de carvão siderúrgico dos americanos.

“Tenho certeza que aqueles trabalhadores que aparecem ao fundo da foto com Trump [quando da assinatura da medida] são compradores de carros, de máquinas de lavar. Eles serão impactados pela taxa”, disse Ferreira.

Entre vizinhos

O tema do protecionismo versus fair play surge também nas discussões sobre integração na América Latina. Em um debate antes da abertura oficial, numa sala contígua ao auditório principal, executivos e pesquisadores reforçaram a necessidade da região atuar em bloco para tirar proveito do seu mercado consumidor, para isso seria necessário equalizar impostos, leis trabalhistas e leis de proteção intelectual.

“É preciso fazer isso antes que a globalização volte. Pois ela vai voltar assim que Trump deixar a Casa Branca”, afirmou Marcos Troyjo, diretor do BRIClab da Universidade Colúmbia.

“Nossa região é fragmentada e, quando vamos ao exterior, competimos uns contra os outros”, afirmou Alicia Bárcena Ibarra, secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

Um bom caminho para começar uma maior integração da região, argumentada entre os presentes, é facilitar a movimentação de pessoas pelo continente.

“É extremamente difícil e caro expatriar um executivo para a região”, disse Alejandro Ramírez, presidente da rede de cinemas Cinepolis. Na visão dele, os países deveriam estar concorrendo pelos melhores profissionais e não protegendo seus mercados de trabalho.

É aqui que entra a tal da competição colaborativa, de Schwab: é preciso superar as diferenças para que os países cresçam juntos. “Nenhum país do mundo se desenvolveu sendo fechado. A integração é essencial”, disse Nicola Calicchio, managing Partner da consultoria McKinsey. Afinal, a regra vale até no futebol: Pelé não teria feito 1 281 gols se não tivesse um Dorval, Mengálvio, Coutinho e Pepe para lhe passar a bola.