FMI ressalta melhora em condições financeiras da Espanha

Fundo Monetário Internacional disse que as condições financeiras melhoraram radicalmente desde julho de 2012 na Espanha

Washington – O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse nesta quinta-feira que a Espanha completou “de maneira firme” todas as medidas pactuadas no programa de reforma do sistema bancário recém finalizado e que as condições financeiras “melhoraram radicalmente” desde julho de 2012.

“As condições financeiras melhoraram radicalmente durante o programa, as gratificações de riscos dos empréstimos externos tomados pelos bancos espanhóis e a dívida soberana caíram 75% e o preço das ações subiu mais de 50%”, afirmou o Fundo em seu quinto e último relatório de supervisão do programa de reforma.

No entanto, insistiu que ainda restam “grandes desafios” e apontou os obstáculos para a recuperação econômica gerados “pela contínua contração do crédito às empresas”.

Os técnicos do Fundo assinalaram que isto responde “a uma variedade de fatores, incluindo a fraca demanda, o elevado risco de falta de pagamento em meio à recessão e, parcialmente, reflete uma necessária desalavancagem de um setor muito endividado”.

Por isso, insiste em que se estenda “para 2014 a limitação de dividendos” e que se encoraje “os bancos a construir o “core capital” (capital de máxima qualidade) aproveitando os mercados”.

Trata-se do último relatório do FMI, que atuou como supervisor do programa de resgate bancário da Espanha outorgado por Bruxelas de 100 bilhões de euros e dos quais finalmente recorreu a 41,3 bilhões.

Sobre o setor imobiliário, o mais afetado pela crise, o organismo liderado por Christine Lagarde informou que os preços da moradia começaram a “se estabilizar” após “uma queda de entre 30% e 40%” desde o início da explosão da bolha.

Do ponto de vista macroeconômico, o FMI destacou o esforço de consolidação fiscal realizado pela Espanha em 2012-2013 como “um dos maiores da Europa”, mas afirmou que serão necessários “mais ajustes substanciais a médio prazo”.

Como dado negativo, avaliou a persistência de altos níveis de desemprego, que se prevê “continue sendo muito alto por um prolongado período de tempo”, e espera que feche 2014 em 25,8%.