FMI diz não ter recebido indicação de pedido de ajuda da Turquia

A forte desvalorização da lira turca ampliou a crise econômica do país, que já era agravada pela falta de dólares e pela alta das taxas de juros nos EUA

Washington – O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta segunda-feira que não recebeu indicação do governo da Turquia sobre um possível pedido de assistência financeira para combater a abrupta desvalorização da moeda do país em relação ao dólar e lidar com as recentes tensões com os Estados Unidos.

“Não recebemos indicação alguma das autoridades turcas sobre a solicitação de assistência financeira”, disse à Agência Efe uma fonte do FMI que pediu para não ser identificada.

A forte desvalorização da lira turca ampliou a crise econômica do país, que já era agravada pela falta de dólares e pela alta das taxas de juros nos EUA. Caso a crise não se reverta, a Turquia pode ser obrigada a solicitar ajuda do FMI, como a Argentina fez recentemente após de uma súbita queda do peso.

Em recente relatório, o FMI alertou que a Turquia é um dos mercados emergentes mais vulneráveis ao ajuste monetário feito pelo Federal Reserve, o banco central americano, que pode influenciar o fluxo de investimentos estrangeiros no mercado global.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou hoje que a desvalorização da lira, que perdeu 27% de seu valor em relação ao dólar desde o início do mês, não ocorreu devido a motivos econômicos, mas sim em consequência de um “ataque externo”.

Erdogan também afirmou que o governo não tem a intenção de confiscar as poupanças em moeda estrangeira ou de convertê-las de maneira forçada pela força em liras turcas para conter a queda.

O Banco Central da Turquia anunciou hoje a injeção de US$ 6 bilhões no sistema financeiro para garantir a liquidez dos bancos e conter a desvalorização da divisa local frente ao dólar.

Segundo os analistas, a queda da lira turca se deve à diminuição da confiança dos investidores em uma economia já debilitada, exacerbada pelas tensões diplomáticas entre Erdogan e o presidente dos EUA, Donald Trump, que anunciou sanções para forçar a libertação do pastor americano Andrew Brunson, preso por Ancara.