FMI bate hoje o martelo para liberar US$ 50 bi à Argentina

O FMI deve analisar o plano econômico, que inclui uma reforma da legislação tributária e social

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reúne nesta quarta-feira sua diretoria para decidir o futuro econômico da Argentina. A diretoria do FMI deve deliberar sobre a aprovação de um empréstimo de 50 bilhões de dólares para o país, um plano do governo do presidente Mauricio Macri para ajudar na restauração da economia do país. O comitê executivo do FMI deve analisar o plano econômico dos hermanos, que inclui uma reforma da legislação tributária e social, além de um comprometimento de que os gastos do governo em percentagem do PIB não irão diminuir nos próximos três anos.

A ajuda do FMI é essencial para remediar uma situação tão caótica que tirou Macri da cúpula do Mercosul, que acontece esta semana em Assunção, no Paraguai para focar nos problemas de casa. Dos 50 bilhões de dólares previstos, as autoridades argentinas já pediram uma liberação inicial de 30% e prometeram usar 7,5 bilhões para acalmar os ânimos do mercado de câmbio, que tem feito o peso argentino disparar com uma forte fuga de capitais do país. O Banco Central do país anunciou diversas medidas para conter a alta do câmbio, como a venda de 400 milhões de dólares para conter a volatilidade da moeda e também diminuiu o limite diário da posição global líquida em moeda estrangeira dos bancos de 10% para 5%.

Apesar da briga pela manutenção de capital na Argentina, o governo continua encontrando reveses. A agência de classificação de risco S&P prevê que a inflação de 2018 vai acelerar para 28%, ante 21% na previsão anterior. O juro básico argentino terminará este ano em 45% ao ano, ante os atuais 40% e 23% da previsão anterior da S&P, numa tentativa de atrair capital internacional e diminuir o ímpeto inflacionário.

Enquanto isso, o PIB argentino vai de mal a pior com a atual deterioração das expectativas. A S&P estima agora expansão de 1,5% do PIB do país neste ano, ante 2,8% do prognóstico anterior. Ontem, foi anunciado que o PIB cresceu 3,6% no primeiro trimestre do ano, em comparação com mesmo período de 2017. Apesar disso, o crescimento deve desacelerar após julho, com as altas taxas de juros e a seca que afetou o país nos últimos meses. Não é só no Brasil que o segundo semestre tende a ser de economia em marcha lenta.