FGV: minério de ferro e alimentos puxam alta do IGP-M

Os dois setores são os principais responsáveis pela aceleração da inflação mostrada pelo índice

Rio – Minério de ferro e alimentos mais caros, respectivamente no atacado e no varejo, levaram à aceleração da primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), de 0,22% para 0,43% de agosto para setembro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, o preço do minério de ferro, atrelado às flutuações do dólar, subiu devido à recente valorização da moeda norte-americana. Já os preços dos alimentos avançaram em razão de repasses de altas anteriores em produtos agrícolas atacadistas para seus derivados no varejo.

Com o atual cenário, a variação no preço do minério de ferro saltou de -1,94% para 2,97% de agosto para setembro. O movimento gerou uma inflação de 2,74% nos preços de minerais no atacado que, por sua vez, impulsionou a aceleração de preços do setor industrial como um todo (de 0,10% para 0,36%).

Quadros, no entanto, fez uma ressalva. A inflação mais pressionada no setor industrial parece estar concentrada em minerais. Isso porque a variação de preços na indústria da transformação, no atacado, desacelerou de 0,25% para 0,16% de agosto para setembro. “Não temos muitos exemplos de preços em alta no setor industrial”, avaliou.

O coordenador da FGV explicou que o avanço de preços no setor agropecuário (de 0,80% para 0,86%) também pressionou para cima a inflação no atacado – mas em menor magnitude do que a influência do setor industrial atacadista. “Não há, no momento, movimentos generalizados de aumentos ou de quedas de preços entre as commodities. Podemos encontrar exemplos subindo, como a soja (4,09%); ou em queda, como milho em grão (-2,07%)”, afirmou.

No caso dos alimentos no varejo, a variação de preços saltou de -0,25% para 0,60% de agosto para setembro. Embora as matérias-primas brutas agropecuárias, com extensa cadeia de derivados no setor varejista, tenham mostrado desaceleração no atacado, de agosto para setembro (de 1,24% para 0,88%) isso, na prática, não impede que os preços dos alimentos continuem em alta no varejo, nas próximas apurações. Quadros lembrou que os preços dos in natura permanecem em elevação no atacado, e têm repasses de aumentos quase imediatos para os seus itens correlacionados no varejo. “A preocupação com o avanço dos preços dos alimentos no varejo em setembro continua”, assinalou.