Expectativa de Selic maior ajuda a elevar juro ao consumidor

Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central, a taxa média de juros ficou em 18,7 % em fevereiro, ligeiramente superior aos 18,6 % em janeiro

Brasília – As expectativas de que a Selic será elevada em breve ajudaram a levar em fevereiro ao aumento das taxas de juros cobradas aos tomadores finais pelo segundo mês seguido, num cenário em que a inadimplência não cede de forma consistente.

Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central, a taxa média de juros ficou em 18,7 % em fevereiro, ligeiramente superior aos 18,6 % em janeiro. Em dezembro, ela havia ficando em 18 %.

No segmento de recursos livres, a taxa ficou em 26,4 %, 0,2 ponto percentual a mais do que em janeiro, também cravando o segundo mês consecutivo de alta. Só para pessoa física, os juros subiram 0,5 ponto, chegando a 35,1 % no período e voltando ao mesmo patamar visto em setembro passado.

Na visão de analistas, a taxa de juros subiu na esteira da alta da taxa de captação no mês passado, que cresceu para 8,2 % ao ano no segmento de recursos livres, 0,4 ponto percentual superior a janeiro.

“O custo de captação subiu em fevereiro e isso reflete a percepção dos agentes sobre vários fatores: conjuntura internacional, inflação e expectativa para as taxas de juros”, afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Com a inflação ainda em patamares elevados, os agentes econômicos acreditam que a Selic, hoje a 7,25 % ao ano, será elevada em breve. Última pesquisa Focus do BC mostrou que o mercado acredita que um ciclo de aperto monetário será iniciado em maio e que a taxa básica de juros fechará o ano a 8,50 %.

Neste cenário, analistas avaliam que os juros ao consumidor seguiram em março no patamar atual e que ela volte a subir de forma acentuada quando o BC começar a elevar a taxa básica.

“Como o mercado recuou na apostas de alta da Selic em abril, a tendência para março é a taxa de juros ao consumidor se acomodar”, afirmou Rostagno. “Se o BC confirmar a aposta do mercado e subir o juros, a tendência é a curva aumentar, o mercado embutir mais prêmio e a taxa ser repassada ao consumidor.” No mês passado, segundo o BC, o spread bancário geral –diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final efetivamente cobrada pelos bancos– ficou em 12,1 pontos percentuais, 0,1 ponto a menos do que em janeiro.

No segmento de recursos livres, o spread ficou em 18,2 pontos percentuais, ante 18,4 pontos percentuais em janeiro.

Inadimplência em alta

A elevação dos juros veio acompanhada por um nível ainda alto da inadimplência na avaliação do próprio BC. A taxa com recursos livres recuou apenas ligeiramente, ficando em 5,6 % em fevereiro, contra 5,7 % em janeiro.

Por outro lado, embora a queda na inadimplência da pessoa física também tenha sido pequena –de 0,2 ponto percentual, para 7,7 %–, foi o suficiente para atingir o menor patamar desde novembro de 2011.

Maciel, no entanto, evitou adotar um tom mais otimista e pregou a necessidade de se analisar os dados dos próximos meses para ver se a inadimplência entrou num ritmo de queda. “É um sinal mais claro de arrefecimento nos recursos livres (para pessoa física), mas ainda não é um processo consolidado”, disse o chefe do departamento do BC.

Apesar da queda, analistas dizem que o patamar elevado da inadimplência contribui para os bancos privados permanecerem numa postura cautelosa e perderem fatia de mercado para os públicos.

“O alto nível da inadimplência significa que os bancos privados continuam de certa forma defensivos”, afirmou o economista para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

Essa postura pode ser vista nos dados do BC. O saldo de crédito das instituições privadas nacionais cresceu 1,3 % no trimestre encerrado em fevereiro, enquanto a dos bancos públicos avançou 5,7 %.

O mercado de crédito brasileiro continuou mostrando crescimento moderado em fevereiro, com alta mensal de 0,7 %, atingindo 2,384 trilhões de reais, ou 53,4 % do Produto Interno Bruto (PIB).

O movimento, segundo o BC, foi puxado por recursos ligados aos financiamento imobiliário e consignado, segmentos onde os bancos públicos são mais fortes.

Maciel reafirmou as projeções para este ano de expansão moderada do crédito, com previsão de crescimento de 14 % em 2013, após o aumento de 16,2 % em 2012. A relação entre crédito e o PIB deve fechar o ano em 55 %.