Europa: Centenas de milhares protestam contra a crise

Na Espanha e na Bélgica, além dos protestos, ocorreram hoje greves gerais, com a paralisação parcial dos transportes públicos, escolas e hospitais

Madri e Roma – Centenas de milhares de trabalhadores, estudantes e desempregados europeus tomaram as ruas de centenas de cidades na Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Bélgica nesta quarta-feira, em uma jornada de protestos contra a crise econômica e as medidas de austeridade tomadas pelos governos. A frustração e raiva dos manifestantes degenerou em violência na Espanha e na Itália, mas em geral os protestos foram pacíficos.

Na Espanha e na Bélgica, além dos protestos, ocorreram hoje greves gerais, com a paralisação parcial dos transportes públicos, escolas e hospitais. Centenas de voos foram cancelados. Em Madri, a polícia espanhola deteve 118 manifestantes e 74 pessoas, incluídas 43 policiais, ficaram feridas. Ocorreram manifestações em mais de 40 cidades portuguesas, com tumultos apenas no final da tarde em Lisboa. Em Roma, Milão e Turim ocorreram confrontos entre manifestantes e a polícia, com pelo menos seis policiais feridos em Turim e Milão.

“Esta é uma greve política contra as políticas suicidas de um governo suicida e antissocial”, disse o líder sindical espanhol Ignacio Fernández Toxo, líder da central espanhola CCOO. Toxo afirma que a adesão dos trabalhadores foi total na indústria automobilística, de energia, da construção naval e da construção civil da Espanha. As fábricas de automóveis da SEAT e da Nissan na Catalunha pararam. A Espanha, onde o desemprego está em 25% da força de trabalho, se encontra em recessão desde 2011. O desemprego atinge mais de 50% das pessoas com idades entre 18 e 25 anos.


Em Portugal, os protestos em 40 cidades foram na maioria pacíficos, mas no final da tarde um grupo de jovens em Lisboa jogou garrafas contra policiais que protegiam o edifício do Parlamento em Lisboa. Uma carga da tropa de choque dispersou os manifestantes, que se vingaram incendiando latões de lixo nas imediações. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas na capital portuguesa.

Na Bélgica, uma greve geral de 24 horas paralisou o transporte ferroviário e aeroviário, interrompendo o serviço de trens de alta velocidade Eurostar entre Bruxelas, Paris e Londres.

“A Europa está acordando hoje, de Roma a Madri e Atenas”, disse em Roma um estudante universitário de 23 anos, Mario Nobile. “Os PIGs estão se rebelando”, acrescentou, referindo-se aos demais países da periferia do euro que enfrentam dificuldades e também passaram por um dia de protestos e greve geral, como Portugal, Espanha e Grécia. A sigla PIGs em inglês, pejorativa (“porcos” na língua inglesa) tem as letras iniciais dos países onde a crise é mais grave na Europa: Portugal, Itália, Grécia e Spain (Espanha, em inglês).

O professor Francesco Locantore, de 38 anos, disse em Roma que a manifestação é importante “porque (os governos) estão atacando nossos direitos fundamentais com a desculpa da austeridade”. Milhares de estudantes e trabalhadores tomaram as ruas de Roma, Milão, Turim e outras cerca de 100 cidades na Itália, pedindo garantias de emprego e aposentadorias ao governo do primeiro-ministro Mário Monti. Na Itália, também em recessão como Espanha, Portugal e Grécia, a taxa de desemprego está ao redor de 10%, mas em algumas regiões do sul do país se iguala à marca espanhola e grega de 25%.

“Existe uma emergência social no Sul da Europa, isso é certo”, disse Bernadette Segol, secretária-geral da Confederação Sindical Europeia. “Todos reconhecem que as políticas de austeridade que foram adotadas nos países são injustas e não estão funcionando”, afirmou.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.