Europa adia para 2014 decisões de estímulo à integração

Os 27 países da UE encaminharam ao presidente do Conselho, Herman Van Rompuy, um novo calendário para junho de 2013, menos ambicioso

Bruxelas – A União Europeia (UE) adiou nesta sexta-feira para 2014 as decisões sobre seu processo de integração, incapaz de manter o impulso após o desbloqueio da ajuda à Grécia e a aprovação do controle dos bancos da zona do euro, embrião da futura união bancária.

Os 27 países da UE encaminharam ao presidente do Conselho, Herman Van Rompuy, um novo calendário para junho de 2013, menos ambicioso que o apresentado antes da reunião.

As grandes decisões ficam assim relegadas para depois das eleições alemãs do próximo ano e das eleições europeias de 2014.

“A Europa saiu deste período no qual se questionava sobre seu futuro e seu destino”, disse o presidente francês, François Hollande, no final do encontro que reuniu, durante dois dias, aos chefes de Estado e de governo dos 27 membros da UE.

O otimismo de Hollande, no entanto, foi moderado pela chefe do governo alemão, Angela Merkel. “Avançamos em alguns pontos, mas ainda temos muitas dificuldades pela frente”.

Já o primeiro-ministro espanhol, o conservador Mariano Rajoy, cujo país é um dos mais atingidos pela crise, fez uma avaliação positiva: “Foram tomadas medidas no início deste ano que pareciam impossíveis”, disse no final do encontro.

“Quando eu cheguei aqui, apenas ouvia falar sobre disciplina fiscal e austeridade. Hoje em dia, apenas um ano depois, já se fala de crescimento, da união bancária, da união econômica e da união fiscal “, afirmou.

Segundo Rajoy, a Espanha não pretende pedir resgate no momento.


“Trata-se de uma ferramenta disponível, mas ainda não decidimos usá-la”, afirmou.

O adiamento para até 2014 da decisão de fortalecer a união econômica, no entanto, é uma decepção depois de uma semana na qual duas decisões importantes foram tomadas para a Europa.

A primeira foi a criação, após duras negociações, de um supervisor bancário único para a zona do euro, o primeiro passo para uma união bancária destinada a “quebrar a ligação entre bancos e Estados” – um dos objetivos escritos na proposta apresentada por Van Rompuy.

A segunda decisão foi a liberação de uma parcela de ajuda à Grécia de 49,1 bilhões de euros, congelada há um mês. “A possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro está morta. Os sacrifícios do povo grego não foram em vão”, disse o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras.

Contudo, a maioria dos trabalhos destinados a aproximar a UE ficaram para o futuro. Entre as propostas de Van Rompuy estavam os chamados “acordos bilaterais” para os países da UE que recebem ajuda financeira das instituições europeias em troca de reformas estruturais. Contudo, Merkel advertiu que estes contratos terão um “orçamento muito limitado.”

“É uma boa semana para a Europa, uma semana que será lembrada”, disse Van Rompuy, referindo-se ao acordo do Eurogrupo em criar um mecanismo de monitoramento para os bancos.

A Europa, no entanto, segue atenta à Itália, devido ao anúncio de renúncia em 2013 do primeiro-ministro Mario Monti.

Os líderes europeus estão preocupados com a instabilidade política no país e com a possível candidatura de Sílvio Berlusconi, que deixou o cargo há um ano.