EUA visitam frigoríficos brasileiros para voltar a importar carne bovina

Desde 2017, os americanos deixaram de comprar o produto devido a condições sanitárias ficarem abaixo da recomendação global

Uma das principais demandas levadas pela delegação brasileira que foi a Washington junto ao presidente Jair Bolsonaro deve começar a ser atendida hoje. A partir desta segunda-feira (10) agentes de fiscalização norte-americanos começarão a visitar frigoríficos brasileiros com o intuito de avaliar a retomada das importações de carne bovina in natura depois de dois anos.

Com a auditoria, que deve ir até o próximo dia 28, o governo espera reabrir o mercado para os Estados Unidos (EUA) em um cenário de fragilidade para o setor, que recentemente também deixou de exportar para a China devido a um caso de vaca louca.

O fim da sanção à carne brasileira foi o principal objetivo da ministra da agricultura, Tereza Cristina, quando Bolsonaro esteve nos EUA. Na ocasião, o Brasil aceitou abrir uma cota para a importação de 750 mil toneladas de trigo norte-americano a custo zero e também acenou positivamente para a compra de carne suína do país. A partir de hoje, abatedouros de seis estados deverão passar pelo crivo sanitário americano: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

O histórico de exportação de carne do Brasil para os EUA nunca foi tranquilo. As negociações de  venda do produto in natura se arrastou por quase 15 anos, e só em 2015 os produtores brasileiros puderam começar a exportar para o país. As transações, no entanto, duraram pouco mais de dois anos. Em junho de 2017, os EUA suspenderem a compra de carne bovina brasileira porque 11% do produto ficou abaixo dos testes de qualidade. A média global aceitável é de 1%.

Não é só com os EUA que os produtores de carne vem sofrendo. Na última segunda-feira, 3, o governo brasileiro suspendeu a exportação de carne bovina para a China após um caso de vaca louca ter sido identificado no estado do Mato Grosso. De acordo com o ministério da Agricultura, a suspensão temporária teve de ser implantada devido a um acordo sanitário entre os dois países.

Junto a Hong Kong, a China é responsável por 40% das exportações da carne brasileira. Atualmente, o país vive uma infestação de peste suína africana, o que forçou um aumento exponencial na importação de carnes. Somente no último mês, os embarques de frango aos chineses aumentaram cerca de 50%, um recorde histórico. A possível abertura ao mercado americano pode ajudar ainda mais o bom momento dos frigoríficos brasileiros. Este ano, as ações da JBS subiram 80%; as do Minerva, 58%; do Marfrig, 16%.