EUA põe fim a isenções a importadores de petróleo do Irã; preços saltam

"Os EUA, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes concordaram em tomar medidas para garantir que a demanda global seja atendida", disse a Casa Branca

Washington — Os Estados Unidos afirmaram nesta segunda-feira que vão eliminar em maio todas as isenções concedidas a oito economias que compram petróleo do Irã sem sanções, em uma medida que visa elevar a pressão para sufocar as receitas da República Islâmica.

A decisão, tomada pelo presidente Donald Trump, elevou os preços do petróleo às máximas de 2019, embora a Casa Branca tenha dito que os EUA estão trabalhando com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos para garantir que o mercado de petróleo seja “abastecido adequadamente”.

As sanções foram impostas quando Washington pressionou o Irã a reduzir seu programa nuclear e deixar de apoiar militantes em todo o Oriente Médio.

O secretário de Estado Mike Pompeo reiterou nesta segunda-feira que o objetivo de Washington é derrubar as exportações de petróleo iraniano para zero e acrescentou que os Estados Unidos não têm planos de dar qualquer período de “carência” após 1º de maio.

“Hoje estou anunciando que não vamos mais conceder isenções”, disse Pompeo em um comunicado. “Estamos indo para zero. Vamos zerar o placar.”

Os preços do petróleo Brent trabalham em alta após tocarem mais cedo uma máxima de 74,31 dólares por barril, maior nível desde o início de novembro.

Os Estados Unidos voltaram a impor sanções em novembro às exportações de petróleo iraniano depois que Trump retirou-se unilateralmente de um acordo nuclear de 2015 entre o Irã e seis potências mundiais. Trump criticou frequentemente o acordo, alcançado pelo antecessor Barack Obama, como “o pior negócio de todos os tempos”.

Juntamente com as sanções, Washington concedeu isenções a oito economias que reduziram suas compras de petróleo iraniano, permitindo que continuassem a comprá-lo sem incorrer em sanções por mais seis meses. Eram China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Turquia, Itália e Grécia.

Os Estados Unidos haviam discutido nos últimos dois meses se renovariam ou não algumas isenções, evitando um aumento nos preços do petróleo e dos combustíveis, o que poderia prejudicar os consumidores norte-americanos.

As exportações do Irã caíram para menos de 1 milhão de barris por dia, de mais de 2,5 milhões de bpd antes de as sanções serem reimpostas.

Nos últimos meses, a Arábia Saudita e outros membros da Opep reduziram drasticamente o suprimento. Enquanto o reino deve aumentar a produção novamente, os analistas temem que o movimento dos EUA –junto com as sanções à indústria petrolífera da Venezuela– deixará o mundo com capacidade ociosa inadequada.

Arábia Saudita

A Arábia Saudita informou nesta segunda-feira que vai coordenar com outros produtores de petróleo para assegurar uma oferta adequada e um mercado equilibrado, depois que os Estados Unidos disseram que acabarão com as isenções concedidas a compradores de petróleo iraniano.

“A Arábia Saudita está monitorando de perto a evolução do mercado de petróleo após a recente declaração do governo dos EUA sobre as sanções de exportação de petróleo do Irã”, afirmou o ministro da Energia, Khalid a-Falih, em comunicado.

“A Arábia Saudita vai coordenar com os colegas produtores de petróleo para garantir que os suprimentos adequados estejam disponíveis para os consumidores, garantindo ao mesmo tempo que o mercado global de petróleo não se desequilibre.”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também afirmou que a Arábia Saudita e outros integrantes da Opep vão “mais do que compensar” qualquer queda na oferta de petróleo iraniano.

“A Arábia Saudita e outros integrantes da Opep vão mais do que compensar a diferença nos fluxos de petróleo agora com nossas sanções integrais sobre o petróleo iraniano”, disse Trump em uma publicação no Twitter.