Estudo acha ligação entre atiradores em escolas e desemprego

Pesquisadores da Northwestern University encontraram uma relação estatística forte entre a frequência de episódios com atiradores em escolas e desemprego.

São Paulo – Armas e escolas: uma combinação terrível e infelizmente muito frequente nos Estados Unidos.

Mas esse fenômeno pode estar relacionado a um terceiro fator: o desemprego.

É o que mostra um estudo publicado recentemente na revista Nature por sete pesquisadores da Northwestern University.

Eles encontraram uma relação estatística forte no nível municipal, regional e nacional entre a frequência de episódios com atiradores em escolas e a taxa de desemprego.

Ao contrário do que poderia se esperar, não há uma relação direta com a taxa de posse de armas em determinada região e o número de incidentes do tipo.

No banco de dados foram incluídos todos os casos que cumpriam os seguintes critérios: uma arma disparada, mesmo que por acidente, dentro de algum ambiente escolar e com algum tipo de envolvimento dos estudantes e/ou empregados.

O total encontrado foi de 381 casos entre 1990 e 2013, com 6,6% deles relacionados a gangues (muito abaixo da média fora da escola).

O número médio de vítimas por caso é um; apenas 6,3% tiveram três ou mais mortes. Essa média não subiu ao longo do tempo e na maior parte das vezes o atirador tinha como objetivo atingir alguém específico.

Os pesquisadores dizem que a relação entre os casos e altas do desemprego podem ter a ver com dificuldades na transição entre os ambientes da escola e do trabalho.

Também pode ser algum tipo de reação ao enfraquecimento da ideia de que participação no sistema escolar garante oportunidades econômicas.

Eles notam que “a falta de emprego está relacionada à baixa auto-estima, status diminuído e comportamentos danosos. Também há evidência de que menores podem responder ao desemprego de seus pais, e que as atitudes da juventude tem um impacto significativo sobre sua futura renda e perspectiva de emprego”.