Espanhóis fogem do desemprego em Marrocos

Cerca de 60.000 mil espanhóis saíram do país em 2012, fugindo da crise econômica e dos flagelos do desemprego

Madri – O arquiteto Jean-Pierre Monguard Estragues, nascido em Barcelona, diz que é muito mais fácil encontrar clientes e projetos em Marrakech do que na Espanha.

“O dinheiro não é o melhor pagamento que já tive, mas me permite viver e mandar algum para casa”, diz Monguard, 40, cujos amigos pagaram a passagem para o Marrocos há cerca de dois anos quando ele mergulhou em contas após perder o emprego.

“Experiência e conhecimento são muito mais apreciados aqui do que na Espanha”.

A população da Espanha caiu no ano passado pela primeira vez em pelo menos quatro décadas já que mais de um quarto dos trabalhadores ficaram sem emprego.

O fato destaca a reviravolta na fortuna da nação que viu a contratação subir durante seu boom econômico. Nos cinco anos até 2007, a Espanha foi responsável por quase metade dos empregos criados em toda a zona do euro.

Legado de desemprego

Embora o primeiro-ministro Mariano Rajoy diga que a Espanha está começando a se recuperar da crise e da mais profunda austeridade da sua história democrática, ainda tem que lidar com o legado da recessão: taxa de 26 por cento de desemprego. Quase um terço dos desempregados das 17 nações da zona do euro estão na Espanha.

No total, 477.000 pessoas deixaram a Espanha em 2012, ou 1 por cento da população. Cerca de 60.000 eram espanhóis, 80 por cento mais que em 2008, de acordo com dados do instituto nacional de estatísticas, INE.


Em julho, eram 1.6 milhão de trabalhadores estrangeiros na Espanha, abaixo dos cerca de 2 milhões de 2008. Cerca de um quinto do total de desempregos na Espanha são estrangeiros, refletindo o incremento de trabalhadores estrangeiros que se mudou para o país durante o boom econômico. Marroquinos e romenos são os dois maiores grupos na Espanha e lideraram a emigração de não espanhóis em 2012.

Força de trabalho em queda

O desemprego na Espanha caiu no segundo trimestre, pela primeira vez em dois anos, segundo informou o INE no mês passado.

Desencorajados com uma taxa de desemprego de 56 por cento entre os jovens, muitos estão “desaparecendo” da força de trabalho, alguns por estudar ou trabalhar no exterior, de acordo com relatório, deste mês, do Conselho da Espanha para a Juventude. A proporção destes jovens, com idades entre 16 e 29 anos, disponível para trabalhar, caiu de 66 por cento em 2008 para 60 por cento, diz o relatório.

A recessão na Espanha diminuiu nos três meses até junho e o governo está contando com exportações e turismo para reviver a economia após seis uma queda de seis anos. O turismo até julho cresceu 3,9 por cento em relação há um ano, segundo dados divulgados na semana passada.

“Existem alguns indicadores positivos, mas a economia da Espanha continua sendo muito dependente do exterior”, disse Maria Yolanda Fernández Jurado, professora associada na Faculdade de Economia e Ciências Empresariais na Pontifícia Universidade de Comillas, em Madri.

“Talvez o PIB tenha diminuído menos que o esperado, no segundo trimestre, mas a demanda doméstica e a produção industrial não estão em nenhum lugar próximo ao crescimento e até que isso aconteça não estaremos com capacidade para criar empregos”, acrescentou.