Espanha procura no Brasil aumentar tráfego portuário com AL

O fluxo comercial com os países latino-americanos representa 11,5% do total de movimento de mercadorias dos portos espanhóis

São Paulo – Representantes de 11 autoridaes portuárias espanholas, coordenada pelo organismo público Porto do Estado, visitam São Paulo com o objetivo de estreitar a colaboração com os países latino-americanos e aumentar o tráfego marítimo com essa região.

Sob a epígrafe “Portos espanhóis: a perfeita conexão europeia”, a Espanha se apresenta na Feira Internacional de Logística, Transporte de Cargas e Comércio Exterior “Intermodal South América” como “a porta de entrada” para Europa de mercadorias procedentes da América Latina.

“A ideia é transformar a Espanha, por sua posição geoestratégica no âmbito marítimo, na porta de entrada para Europa, tanto em tráfego de importações e exportações, como em tráfego marítimo”, explicou à Agência Efe o presidente de Portos do Estado, José Llorca Ortega, durante a feira, inaugurada na terça-feira.

O fluxo comercial com os países latino-americanos representa 11,5% do total de movimento de mercadorias dos portos espanhóis -atrás da Europa (33%), África (27,2%) e Ásia (17%)-, uma porcentagem que os Portos do Estado confiam em aumentar nos próximos anos.

Neste sentido, Llorca enfatizou que o aumento do fluxo de mercadorias procedentes da América Latina poderia ser aumentado “notavelmente” com a ampliação do Canal do Panamá e as obras executadas em diversos portos da região.

“Existe uma enorme capacidade de crescimento das relações comerciais e do tráfego portuário com a América Latina e por isso estamos aqui, para vender a situação logística de primeira ordem da Espanha no âmbito do transporte marítimo internacional”, comentou Llorca.

Portos do Estado, organismo dependente do Ministério de Fomento espanhol e que coordena a gestão de 28 autoridades portuárias, insistiu nas relações com o Brasil, principal parceiro comercial da Espanha na América do Sul e com quem os portos espanhóis “esperam aprofundar seu parceria”.

Para Llorca, apesar da delicada situação econômica que o país sul-americano atravessa, com a desvalorização de cerca de 18% experimentada pelo real nos últimos meses, beneficiará às exportações e com isso o trânsito portuário entre ambos países.

“Confiamos que a situação econômica do Brasil melhore, melhore a competitividade, associada à desvalorização do real. Isto pode fazer com que os intercâmbios aumentem e também aconteça o mesmo com o tráfego portuário”, sustentou.

Das 44,4 milhões de toneladas movidas com os principais países da América Latina em 2014, mais de 40% (18,1 milhões de toneladas) corresponderam a intercâmbios com o Brasil, seguidos da Colômbia (11,2 milhões de toneladas), Argentina (4,1 milhões) e Venezuela (4 milhões).

Vista como uma plataforma estratégica para a geração de novos negócios, a Intermodal South América termina amanhã e nela participam as autoridades portuárias da Bahia de Algeciras, Barcelona, Bilbao, Ferrol, Huelva, Las Palmas, Santa Cruz de Tenerife, Tarragona, Valência, Vigo e Vilagarcía de Arousa.