Espanha concorda em elevar aposentadorias em linha com a inflação

A Espanha tem 8,7 milhões de aposentados que reivindicam suas pensões e que pedem uma reforma mais profunda do sistema do que a aprovada em 2013

Madri – O governo espanhol chegou a um acordo preliminar para aumentar as pensões de aposentadoria de acordo com a inflação, indicando que os novos líderes socialistas podem tomar uma postura menos restritiva em relação aos gastos públicos depois de anos de austeridade sob seus antecessores.

A comissão multipartidária que controla os gastos sociais havia concordado com o aumento, embora os detalhes completos ainda teriam de ser decididos, afirmou o Partido Socialista em uma publicação no Twitter na noite de terça-feira.

“Agora a direita precisa permitir que todas as aposentadorias aumentem com a inflação, e também em momentos de crise”, dizia a publicação.

Desde 2014, aposentadorias cresceram a 0,25 ao ano, porcentagem abaixo da inflação.

Os preços ao consumidor subiram 2,1 por cento em maio na comparação anual, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística na quarta-feira, a maior alta desde abril de 2017.

O conservador Partido Popular (PP), retirado do governo após seis anos no comando em uma moção de censura, que seguiu uma onda de casos de corrupção envolvendo membros do PP, manteve as rédeas curtas nos gastos para diminuir um dos maiores déficits públicos da zona do euro.

O fundo de reservas do sistema de bem-estar social foi dizimado por cerca de cinco anos de recessão após o estouro da bolha imobiliária em 2008, ao mesmo tempo que uma população que envelhece significa que recursos ainda estão sendo drenados dos cofres públicos mais rapidamente do que podem ser repostos.

A Espanha tem cerca de 8,7 milhões de aposentados que reivindicam suas pensões e uma taxa de nascimentos decrescente que leva a preocupações com uma potencial bomba-relógio de aposentadorias e pede uma reforma mais profunda do sistema do que a aprovada em 2013.

A Espanha reduziu seu déficit público para pouco mais de 3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, em linha com as metas da Comissão Europeia. O déficit público do país era de quase 11 por cento em 2012, antes dos impopulares cortes de gastos e altas de impostos.