Energias solar e eólica poderiam abastecer até 80% dos EUA

Apesar do vasto potencial do país para investir em fontes mais limpas, a atual administração talvez seja o maior empecilho para o avanço do setor

São Paulo – No ano passado, 18% de toda energia gerada nos Estados Unidos partiu de fontes renováveis, como solar, eólica e hidroelétrica. Há espaço para muito mais.

Segundo um novo estudo da Universidade da Califórnia em Irvine, a potência mundial poderia suprir até 80% de sua demanda a partir da energia solar e eólica de maneira confiável.

A pesquisa, publicada no periódico Energy and Environmental Science, avaliou as condições geofísicas do país para geração a partir dessas fontes.

Para atingir a taxa de 80% seriam necessários uma rede de transmissão em escala continental e sistemas de armazenamento para compensar as mudanças sazonais desses dois recursos, já que o sol  se põe e o vento nem sempre sopra.

Os pesquisadores reconhecem que a expansão das capacidades de transmissão e armazenamento significaria investimentos muito substanciais, mas não inconcebíveis.

Sem entrar em detalhes, eles estimaram que o custo das novas linhas de transmissão exigidas, por exemplo, poderia chegar centenas de bilhões de dólares. Em comparação, armazenar uma grande quantidade de eletricidade com as baterias mais baratas que existem no mercado hoje provavelmente custaria mais de um trilhão de dólares.

Até que as capacidades de armazenamento e transmissão estejam à altura do desafio, o estudo recomenda que o país busque outras fontes de energia de baixa emissão de carbono para complementar a produção solar e eólica.

A produção de eletricidade baseada em combustíveis fósseis é responsável por cerca de 38 por cento das emissões americanas de dióxido de carbono, principal causa das mudanças climáticas globais.

Apesar do vasto potencial do país para investir em fontes mais limpas, como solar e eólica, a atual administração talvez seja o maior empecilho para o avanço do setor.

Segundo o jornal Washington Post, a Casa Branca pretende cortar em mais de 70% o orçamento do ano fiscal de 2019 para o escritório de Eficiência Energética e Energia Renovável do Departamento de Energia, o que reduziria os investimentos em pesquisadas em tecnologias verdes tanto para produção de energia quanto para o desenvolvimento de veículos mais eficientes.