Empresas investem pouco em inovação, diz diretora do Ipea

Segundo a diretora, os empresários brasileiros estão começando a despertar somente agora para a importância do investimento em tecnologia e inovação

São Paulo – A diretora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernanda de Negri, afirmou que, para seguir o exemplo dos países desenvolvidos, o Brasil ainda precisa investir mais em tecnologia e inovação.

“No mundo, em países desenvolvidos, as empresas investem por volta de 2% a 2,5% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, os empresários investem o correspondente a 0,5%”, afirmou, ao participar do Fórum Estadão – Inovação, Infraestrutura e Produtividade, realizado nesta quarta-feira em parceria com a Finep, em São Paulo.

“Se somarmos o montante investido pelo governo, chegamos a algo em torno de 1% do PIB. Ainda há um longo caminho para percorrermos”, ressaltou.

Segundo a diretora, os empresários brasileiros estão começando a despertar somente agora para a importância do investimento em tecnologia e inovação.

“Cada vez mais o empresário brasileiro começa a perceber que isso é importante, que há impactos positivos”, disse.

“É preciso facilitar mecanismos por meio dos quais os empresários podem investir em pesquisa.”

Fernanda destaca que nos últimos dez anos o Brasil teve avanços econômicos importantes, mas ainda há desafios a serem superados para estimular a competitividade.

Ela aponta quatro pilares em que o país precisa investir para ampliar seu espaço no cenário internacional: infraestrutura; tecnologia e inovação; educação; e ambiente regulatório.

“Temos que vencer esses quatro desafios para que o país continue crescendo e distribua renda.”

Segundo Fernanda, estimativas apontam que só na área de infraestrutura o Brasil precisaria investir em torno de 4% do PIB para “acompanhar o crescimento recente da economia”.

“Hoje investimos em torno de 2,5%. Esse crescimento econômico recente agravou nossa percepção do problema da infraestrutura porque a infraestrutura não conseguiu acompanhar o ritmo de crescimento e criou-se o gargalo que temos hoje”, explicou.

Debate

Para o diretor da AIRSHIP, empresa do ramo aeronáutico, Gerson de Mello Almada, o principal desafio brasileiro de competitividade não é apenas a questão de dificuldade de realizar investimentos.

“A falta de recursos tem sido resolvida com mecanismos como os do Finep”, afirmou, durante sua participação em painel do fórum.

Para ele, o Brasil precisa principalmente definir em quais setores é competitivo para que se façam investimentos de forma mais assertiva.

Carlos Pacheco, reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), afirmou que não é possível manter o crescimento do país, diminuindo a desigualdade e aumentando a renda real, sem ampliar a produtividade.

“E investimento é decisivo para aumentar a produtividade”, disse. Além disso, ele destacou que os investimentos em inovação são fundamentais para o aumento da eficiência e da competitividade.

O presidente da Recepta Biopharma, empresa que desenvolve medicamentos para o tratamento do câncer, José Fernando Perez, ponderou durante sua fala que a complexidade da cadeia de inovação exige, além de investimentos, uma visão global de pesquisas.

“Não dá para fazer tudo no país, a cadeia de inovação é muito complexa e buscar parcerias é fundamental”, disse.