Em meio a impasse político, Alemanha divulga PIB em alta

ÀS SETE - País deve apresentar um crescimento econômico de 2,6% no terceiro trimestre, acima da média europeia

Com as conversas por uma coalizão política na Alemanha indo para o buraco, não é só sobre a chanceler Angela Merkel que recai a pressão.

O líder do Partido Social Democrata (SPD), Martin Schulz, encara agora membros de seu partido que acreditam ser esta a oportunidade ideal para propor uma nova “grande coalizão” com a chanceler — e ter a oportunidade de emplacar suas pautas no governo.

Às Sete – um guia rápido para começar seu dia

Leia também estas outras notícias da seção Às Sete e comece o dia bem informado:

Nesta quinta-feira, Schulz se encontra com o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, um ex-ministro de Relações Exteriores do SPD que já deixou claro que sua vontade é que seu partido renove as conversas com a União Social Cristã e a União Democrata Cristã, de Merkel, e evitem a necessidade de convocar novas eleições.

Embora a União tenha tido a maior parte dos votos, 32,9%, o desempenho foi o pior desde 1949, o que legou a Merkel a uma situação difícil na negociação de uma coalizão.

Pelos resultados das eleições, a União só poderia formar uma coalizão efetiva com ambos o Partido Verde (Grüne) e o Partido Liberal Democrata (FDP) — chamada de coalizão Jamaica, que já parece inviável diante da recusa do FDP —, ou com o SDP, que compõe a base do governo desde 2013.

O SPD teve 20,5% dos votos, mas passou os últimos 4 anos no governo como uma oposição interna, com uma coalizão que se mostrou necessária para o funcionamento da democracia alemã.

O problema é que ter feito parte do governo também prejudicou o partido nas urnas: foi o pior resultado do SPD no pós-guerra, o que o próprio Schulz chamou de “um dia amargo para a social-democracia alemã”.

Ser ou não ser parte do governo? Eis a questão: há no partido quem acredite que essa é a oportunidade perfeita para pressionar a União a aceitar suas pautas, o que poderia evitar novas eleições e uma perda ainda maior para os partidos, em eventuais novas eleições. Mas há também a ala que não quer ser uma oposição interna e prefira tentar a sorte em novas eleições. 

Uma pesquisa divulgada na última terça-feira mostra ambos os partidos com menores intenções de voto: o SPD com 19,5% e a União com 29,2% — margens menores do que o resultado das eleições.

Com o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, tendo feito 12,6% dos votos, o prospecto de um novo pleito guarda também uma parte mais assustadora.

Também nesta quinta-feira, a Alemanha deve apresentar um crescimento econômico de 2,6% no terceiro trimestre, acima da média europeia. Em condições normais, seria um argumento a mais para Merkel conseguir todo apoio que deseja.