Em Londres, todos os bilhões do príncipe saudita

ÀS SETE - O príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, chega à capital britânica com o objetivo de atrair novos investidores para o seu país

O príncipe regente da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, chega a Londres nesta quarta-feira, onde se encontra com a primeira ministra Theresa May.

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Trata-se da primeira turnê internacional do príncipe, que pretende persuadir os britânicos de que as reformas impostas em seu país fizeram da Arábia um lugar melhor para investir e uma sociedade mais tolerante.

A viagem de bin Salman inclui ainda uma ida à casa de campo de May, em Chequers, a 60km de Londres. Ele também irá almoçar com a Rainha Elizabeth e jantar com o herdeiro do trono, o príncipe Charles e seu filho, príncipe William, além de se reunir com chefes da inteligência britânica. A recepção ao saudita é um sinal da importância que Londres está dando à visita.

Protestos também são esperados, principalmente em relação a um conflito que a Arábia Saudita trava com o Iêmen. Mais de 10.000 pessoas já foram mortas no conflito.

Os críticos de bin Salman afirmam que as reformas econômicas e sociais que ele introduziu no país são apenas “mudanças cosméticas”, utilizadas para distrair do antigo desdém da Arábia por direitos humanos.

Já o governo quer usar a viagem para aumentar a parceria com os sauditas além da área de defesa e segurança, de olho em expandir a exportação de serviços para o mercado da Arábia Saudita e atrair investimentos para projetos domésticos.

Segundo diplomatas, é esperado que os acordos negociados durante a viagem ultrapassem os 100 bilhões de dólares. A visita do príncipe ao Reino Unido — e posteriormente aos Estados Unidos no final do mês — pode ajudar a definir onde a estatal de petróleo saudita, Aramco, irá abrir 5% de seu capital, uma transação avaliada em 100 bilhões de dólares, o que levaria o valor de mercado da estatal para algo próximo de 2 trilhões de dólares. Seria o maior IPO da história. Com o isolamento britânico diante do Brexit, uma parceria dessas para a economia não seria nada mal.