Dólar cai ante real, de olho em Fed e cena eleitoral

Disputa à Presidência entre Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) está cada vez mais acirrada

São Paulo – O dólar tinha leve queda ante o real nesta terça-feira, ensaiando um ajuste após seis sessões consecutivas de alta, mas investidores relutavam em fazer grandes operações antes da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano, e de novas pesquisas eleitorais no Brasil.

Também ajudava na cautela a possibilidade de o Banco Central brasileiro aumentar suas atuações no câmbio.

Às 12h08, a moeda norte-americana caía 0,23 por cento, a 2,3384 reais na venda, após acumular alta de 4,66 por cento nos últimos seis pregões. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 25 milhões de dólares, baixo para o horário.

“Hoje, o dólar está preso tanto para cima quanto para baixo”, afirmou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

“Todo mundo acha que se (o dólar) firmar acima de 2,35 reais, o BC entra. Mas também não tem muito espaço para cair, por causa do Fed e das eleições”, explicou.

Na quarta-feira, o banco central dos Estados Unidos anuncia sua decisão de política monetária e, em seguida, a chair Janet Yellen dará entrevista coletiva.

Investidores esperam mais pistas sobre se os juros começarão a subir na maior economia do mundo antes do esperado, o que tenderia a atrair aos EUA recursos atualmente aplicados em outros países.

No Brasil, pesavam também pesquisas que mostraram recentemente a presidente Dilma Rousseff (PT) ganhando terreno e empatando tecnicamente com Marina Silva (PSB) nas eleições presidenciais.

O mercado prefere a vitória de Marina, em meio a críticas sobre a condução da política econômica do atual governo.

Na noite passada, foi divulgado levantamento do Vox Populi, mostrando estabilidade nas intenções de voto, com 42 por cento para Marina e 41 por cento para Dilma no segundo turno. E nova pesquisa Ibope deve ser divulgada nesta noite.

Esses fatores levaram o dólar a ultrapassar o patamar de 2,35 reais durante as duas últimas sessões, alimentando expectativas de que o BC intensifique suas atuações no câmbio para evitar impactos inflacionários.

Na sexta-feira, uma importante fonte da equipe econômica afirmou à Reuters que o BC poderá aumentar a rolagem de swaps cambiais com o objetivo de reduzir a volatilidade atual do mercado, mas que os leilões com as rações diárias não mudam neste ano.

Por enquanto, o BC não mudou seu ritmo, vendendo a oferta de até 6 mil contratos de swap cambial tradicional, que equivalem a venda futura de dólares, para rolagem nesta manhã. Até agora, o BC rolou cerca de 31 por cento do lote total, que corresponde a 6,677 bilhões de dólares.

Pela manhã, o BC também vendeu a oferta total de até 4 mil swaps pelas atuações diárias, com volume correspondente a 197,9 milhões de dólares. Foram vendidos 2 mil contratos para 1º de junho e 2 mil para 1º de setembro de 2015.

Atualizado às 12h23