Dívida da Grécia: crescem as mensagens contraditórias

"A dificuldade das negociações se deve ao fato de que esse tipo de operação nunca foi feito antes", resumiu um porta-voz da UE

Bruxelas – As mensagens contraditórias sobre as negociações da Grécia com seus credores privados e públicos se multiplicaram nesta sexta-feira: ao mesmo tempo em que os responsáveis gregos e europeus afirmam que acordo está próximo do fim, a dificuldade para sua conclusão é ressaltada a todo momento.

“Estamos na fase final da elaboração de um novo programa econômico da Grécia e do acordo que reduzirá a dívida pública e permitirá ao país financiar-se nos próximos anos”, afirmou nesta sexta-feira o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos.

Do lado dos credores privados, o presidente de Deutsche Bank, Josef Ackermann, lançou uma mensagem aparentemente dúbia, ao dizer que o fechamento do acordo estava próximo, mas só deveria ocorrer em dias, ou semanas.

“A dificuldade das negociações se deve ao fato de que esse tipo de operação nunca foi feito antes”, disse nesta sexta-feira, Amadeu Altafaj-Tardio, porta-voz do comissário europeu, Olli Rehn, responsável por questões econômicas e monetárias.

O acordo se concentra em um perdão de 50% (100 bilhões de euros) do valor nominal das obrigações em mãos dos credores privados – bancos, asseguradoras e fundos de investimento – para reduzir a dívida soberana grega a 120% do PIB, contra mais de 160% atualmente.

Uma vez fechado este acordo com os credores privados, a Grécia estaria em condições de negociar com seus credores públicos (UE, Banco Central Europeu e FMI) as condições de um novo empréstimo internacional de 130 bilhões de euros.

O ministro grego de Finanças, Evangelos Venizelos, afirmou, segundo a televisão pública Net, que as negociações do país com a Troika seriam concluídas antes da noite de domingo, para que o país chegasse com uma posição definida na reunião do Eurogrupo (com ministros de Finanças da zona do euro), que será celebrada na segunda-feira.

Contudo, uma fonte próxima ao Eurogrupo disse nesta sexta-feira à AFP que esta reunião pode não acontecer, sem dar maiores detalhes.

Antes de entregar mais fundos à Grécia, a Troika exige que os partidos representados pelo governo grego de coalizão se comprometam a adotar mais medidas de ajuste estrutural.

Atenas, por sua vez, tem urgência em resolver esse assunto, pois precisa devolver 14,500 bilhões em empréstimos no dia 20 de março, ou entrará em default.