OMC: Disputas no comércio mundial aumentam

Relatório conjunto com OCDE e Unctad mostra que em sete meses, entre meados de outubro de 2011 e de maio de 2012, foram adotadas 124 novas medidas comerciais restritivas

São Paulo – As disputas comerciais aumentaram com as dificuldades econômicas, alertaram nesta quarta-feira, em um relatório conjunto, OMC, OCDE e Unctad.

O relatório é dedicado às medidas comerciais dos países do G20, a quem as três organizações pedem para redobrar os esforços para manter seus mercados abertos.

Segundo este documento, há uma desaceleração de novas medidas restritivas para o comércio adotadas pelos países do G20 nos últimos cinco meses.

Contudo, acrescenta o relatório, “as disputas comerciais parecem aumentar”, citando como exemplo o aumento das disputas apresentadas à arbitragem da OMC.

Muitas medidas restritivas podem “torpedear lentamente os benefícios da abertura comercial”, alertam os diretores da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría; da Organização Mundial de Comércio, Pascal Lamy, e da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), Supachai Panitchpakdi.

Em sete meses, entre meados de outubro de 2011 e de maio de 2012, foram adotadas 124 novas medidas comerciais restritivas, afetando 0,9% das importações mundiais, segundo o relatório.

As medidas restritivas adotadas desde outubro de 2008 representam 3% das negociações mundiais de mercadorias, quase 4% do comércio dos países do G20.

Apenas 18% das 802 medidas protecionistas adotadas desde outubro de 2008 foram suprimidas.

Os signatários do relatório pedem aos países do G20 que mantenham seus mercados abertos para lutar contra a desaceleração da economia mundial, já que as restrições ao comércio e as políticas protecionistas “não fazem mais que agravar os problemas e ameaçam provocar represálias”.

“O mundo necessita urgentemente de um compromisso forte e renovado, em particular das economias do G20, e revitalizar o sistema econômico multilateral para restaurar um clima de confiança”, dizem os três responsáveis.