Dilma: compromisso fiscal possibilitou queda da Selic

A presidente também assegurou que o governo não forçará novas reduções nas taxas de juros, e que elas serão reduzidas somente "quando for possível"

São Paulo – A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que o compromisso do governo federal com a solidez fiscal abriu espaço para um “ciclo cauteloso e responsável” de corte da taxa básica de juros.

“Eu não poderia deixar de mencionar aqui a redução feita pelo Banco Central da taxa Selic, graças ao nosso compromisso com a solidez fiscal”, disse Dilma a uma plateia formada principalmente por empresários durante fórum promovido pela revista Exame.

“Estamos abrindo espaço para que o Banco Central, diante da crise… possa iniciar um ciclo cauteloso e responsável de redução da taxa básica de juros.”

A presidente também assegurou que o governo não forçará novas reduções nas taxas de juros, e que elas serão reduzidas somente “quando for possível”.

“Vamos levar as condições monetárias do nosso país a um nível que a conjuntura internacional permitir”, garantiu.

No final de agosto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 12 por cento ao ano, após cinco altas consecutivas. A decisão, que surpreendeu o mercado financeiro, foi anunciada dias depois de o governo elevar a meta de superávit primário para 2011.

Dilma reiterou que o governo reconhece a gravidade da atual crise econômica mundial, e prometeu que o governo estará “alerta” a eventuais medidas protecionistas que prejudiquem a competitividade das empresas brasileiras.


“Nós não achamos que somos uma ilha isolada, e que isso (crise) de uma forma ou de outra não vai nos atingir. Nós estamos alertas”, afirmou.

“Estamos bem atentos e adotando as medidas necessárias para nos proteger seja de consequências financeiras, seja de um tipo de competição desleal.”

A presidente citou os incentivos dados nos últimos anos à indústria naval e defendeu a necessidade de fomentar a produção industrial local.

“Esse país não pode ser um país produtor só de matérias-primas. Ele tem que ser um país industrial”, disse.

O governo federal anunciou neste mês a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros importados.

A elevação é uma tentativa de incentivar as montadoras a ampliar a parcela dos veículos produzidos no Brasil e de desestimular investimentos em unidades fabris voltadas apenas à montagem de veículos que chegam desmontados do exterior.