Dia de o FED confirmar o cavalo de pau nos juros americanos?

Publicação do livro bege da instituição deve mostrar grau de preocupação com inflação e PIB nos EUA — e confirmar nova visão para as taxas de juros no país

A temporada de aumento nos juros dos Estados Unidos está de fato chegando ao fim? Novas respostas devem ser dadas nesta quarta-feira, quando o FED, o banco central americano, publica a nova versão de seu tradicional livro bege, um relatório sobre as condições econômicas em cada um dos 12 distritos onde atua, publicado oito vezes por ano. Havia dúvidas no mercado sobre se a atual data de publicação seria mantida, em virtude de eventos marcados ao longo do dia para lembrar a morte do ex-presidente George H. W. Bush. Outras publicações das autoridades monetárias foram adiadas para amanhã, mas o livro bege sai mesmo hoje, cercado de expectativa.

Os títulos de dez anos do Tesouro americano caíram abaixo de 3% esta semana pela primeira vez desde setembro com a expectativa de que o ciclo de aumentos nos juros, iniciado em 2017, esteja perto do fim. É uma visão surpreendente em relação a semanas atrás.

No início de outubro, o presidente do FED, Jerome Powell, havia afirmado que os juros tinham “um longo caminho” até chegar ao ponto de neutralidade — com crescimento estável e inflação sob controle. Na quarta-feira passada, no entanto, Powell mudou o tom e afirmou que a taxa está “um pouco abaixo” do neutro. “A nova sinalização se encontra a quilômetros de distância da anterior”, escreveu Celso Toledo, economista-chefe da consultoria LCA, em coluna publicada ontem por EXAME.

O cavalo de pau da instituição acontece num momento de volatilidade nas bolsas e de incertezas sobre a sustentabilidade do crescimento da economia americana num ambiente de crescentes preocupações comerciais. Powell, neste contexto, parece ter escolhido o risco de aumentos na inflação ao da perda de ritmo no PIB. Toledo chega a comparar o momento à Nova Matriz Econômica de Dilma Rousseff e Alexandre Tombini, que levou a economia brasileira ao caos recente.

A mudança no tom de Powell também tem dedo presidencial — vem após o presidente Donald Trump afirmar reiteradamente que apenas o FED está preocupado com a inflação. Graças a cortes de impostos em seu início de governo, Trump conseguiu levar a economia americana a crescer perto de 3% este ano com inflação controlada e desemprego em mínimas históricas. Mas o Fundo Monetário Internacional reduziu a previsão de crescimento do país no ano que vem de 2,7% para 2,5% e em 2020, ano eleitoral, para 1,8%.

Investidores esperam agora apenas mais um aumento nos juros americanos em 2019, ante previsão anterior de três aumentos. Para o Brasil e seu novo governo, é uma boa notícia. Juros menores nos EUA ajudam na tarefa de atração de investimentos para os países emergentes. Abaixo do Equador muita gente também estará de olho no livro bege do FED.

Dia de o FED confirmar o cavalo de pau nos juros americanos?

Publicação do tradicional livro bege da instituição deve mostrar grau de preocupação com inflação e PIB na maior economia do planeta — e confirmar nova visão para as taxas de juros no país

A temporada de aumento nos juros dos Estados Unidos está de fato chegando ao fim? Novas respostas devem ser dadas nesta quarta-feira, quando o FED, o banco central americano, publica a nova versão de seu tradicional livro bege, um relatório sobre as condições econômicas em cada um dos 12 distritos onde atua, publicado oito vezes por ano. Havia dúvidas no mercado sobre se a atual data de publicação seria mantida, em virtude de eventos marcados ao longo do dia para lembrar a morte do ex-presidente George H. W. Bush. Outras publicações das autoridades monetárias foram adiadas para amanhã, mas o livro bege sai mesmo hoje, cercado de expectativa.

Os títulos de dez anos do Tesouro americano caíram abaixo de 3% esta semana pela primeira vez desde setembro com a expectativa de que o ciclo de aumentos nos juros, iniciado em 2017, esteja perto do fim. É uma visão surpreendente em relação a semanas atrás.

No início de outubro, o presidente do FED, Jerome Powell, havia afirmado que os juros tinham “um longo caminho” até chegar ao ponto de neutralidade — com crescimento estável e inflação sob controle. Na quarta-feira passada, no entanto, Powell mudou o tom e afirmou que a taxa está “um pouco abaixo” do neutro. “A nova sinalização se encontra a quilômetros de distância da anterior”, escreveu Celso Toledo, economista-chefe da consultoria LCA, em coluna publicada ontem por EXAME.

O cavalo de pau da instituição acontece num momento de volatilidade nas bolsas e de incertezas sobre a sustentabilidade do crescimento da economia americana num ambiente de crescentes preocupações comerciais. Powell, neste contexto, parece ter escolhido o risco de aumentos na inflação ao da perda de ritmo no PIB. Toledo chega a comparar o momento à Nova Matriz Econômica de Dilma Rousseff e Alexandre Tombini, que levou a economia brasileira ao caos recente.

A mudança no tom de Powell também tem dedo presidencial — vem após o presidente Donald Trump afirmar reiteradamente que apenas o FED está preocupado com a inflação. Graças a cortes de impostos em seu início de governo, Trump conseguiu levar a economia americana a crescer perto de 3% este ano com inflação controlada e desemprego em mínimas históricas. Mas o Fundo Monetário Internacional reduziu a previsão de crescimento do país no ano que vem de 2,7% para 2,5% e em 2020, ano eleitoral, para 1,8%.

Investidores esperam agora apenas mais um aumento nos juros americanos em 2019, ante previsão anterior de três aumentos. Para o Brasil e seu novo governo, é uma boa notícia. Juros menores nos EUA ajudam na tarefa de atração de investimentos para os países emergentes. Abaixo do Equador muita gente também estará de olho no livro bege do FED.