Deputados contra acordo não deram alternativas, diz Tsipras

"Até agora vejo as reações, leio declarações heróicas, mas não ouvi nenhuma proposta alternativa ao dilema de 12 de julho", disse o premier

Atenas – O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pediu nesta terça-feira unidade dos deputados de seu partido, Syriza, e criticou os que se posicionam contra o acordo conseguido com os parceiros da zona do euro por não apresentarem “nenhuma proposta alternativa”.

“Até agora vejo as reações, leio declarações heróicas, mas não ouvi nenhuma proposta alternativa ao dilema de 12 de julho”, disse Tsipras em reunião com sua equipe de governo.

“Se alguns acreditam que um plano alternativo de esquerda é o plano Schäuble (ministro alemão de Finanças), pegar a reserva de bilhetes do BCE ou pagar os aposentados com papéis ‘IOU’ ao invés de com suas pensões, que o expliquem ao povo grego e que deixem de se esconder atrás da minha própria assinatura”, destacou em alusão às declarações de alguns deputados críticos ao acordo.

Em entrevista recente o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis afirmou que tinha dado ao primeiro-ministro a opção de imprimir uma moeda paralela sob forma de notas promissórias, conhecida como “IOU”, para pagar os funcionários e aposentados.

Tsipras reconheceu que é “plenamente consciente” de que carrega a “responsabilidade” de um “compromisso difícil”, mas garantiu que tal pacto é o que mantém o país “com vida para seguir lutando”.

O presidente falou também da possibilidade de convocar em setembro “processos coletivos” em alusão a um possível congresso para “definir de novo os objetivos e as características do governo de esquerda com base na situação atual”.

“Amanhã votamos as últimas ações prévias e durante um mês não temos outra obrigação de legislar e temos que insistir na negociação para o novo acordo de empréstimo”, destacou Tsipras em alusão à segunda votação das reformas que será realizada amanhã no parlamento.

O chefe do governo grego sustentou que o “resultado desta negociação será decisivo”, por isso que o Executivo “deve aproveitar cada oportunidade de alianças políticas e sociais na Europa a fim de obter o melhor resultado possível”.

Tsipras recalcou, além disso, que o governo deve tomar medidas em quatro campos: a luta contra a corrupção; o impulso de reformas no sistema político; a promoção de medidas a favor dos grupos sociais mais frágeis e a aplicação de medidas para atenuar as tendências recessivas da economia e atrair assim o investimento.