Coutinho quer setor privado mais ativo no financiamento

"Será através do setor privado o canal de concretização dos investimentos. O setor público precisa prover regulação e garantias", afirmou o presidente do BNDES

Rio – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, defendeu nesta quarta-feira, 3, o aumento da participação do setor privado no financiamento aos investimentos.

“Será através do setor privado o canal de concretização dos investimentos. O setor público precisa prover regulação e garantias”, afirmou, no encerramento da parte da manhã do seminário de lançamento do estudo Perspectivas do Investimento, no Rio.

Coutinho defendeu as mudanças já sinalizadas para a política fiscal.

“Há um bônus a ser colhido mais adiante da política fiscal. O bônus é a redução da curva de juros quando a inflação estiver controlada”, afirmou o presidente do BNDES.

Com a redução dos juros, o mercado de capitais poderá ter maior participação no financiamento de longo prazo.

“As debêntures de infraestrutura podem vir a ter papel relevante. A frustração com essas debêntures neste ano veio por conta do ciclo da Selic que foi necessário”, disse.

Ao comentar o estudo de projeções de investimentos do BNDES, Coutinho destacou a infraestrutura, que deverá receber R$ 600 bilhões de 2015 a 2018.

“O volume de projetos é sólido porque foi constatado em período adverso. A economia brasileira tem potencial de projetos. Com o retorno da confiança, esse volume tende a crescer”, afirmou Coutinho.

Para ele, o desafio será buscar alternativas de financiamento e tanto a atual quanto a futura equipe econômica têm compreensão dessa necessidade.

Desembolsos

Os desembolsos do BNDES somaram R$ 146,566 bilhões de janeiro a outubro, volume estável em relação ao valor de igual período de 2013. Somente em outubro, foram desembolsados R$ 16,918 bilhões.

Os projetos de infraestrutura receberam R$ 52,588 bilhões de janeiro a outubro.

A indústria ficou com R$ 40,937 bilhões. Os projetos de comércio e serviços receberam R$ 39,450 bilhões. Já a agropecuária ficou com R$ 13,591 bilhões.