Copom projeta IPCA em torno da meta de 4,5% em 2012

Expectativa do Comitê de Política Monetária segue em torno de 4,5% no cenário de referência

Brasília – A previsão oficial do Banco Central para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012 caiu em relação a maio e segue em torno de 4,5% no cenário de referência. “A projeção para a inflação de 2012 reduziu-se em relação ao valor considerado na reunião do Copom de maio e se encontra em torno do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN)”, cita a ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom).

No cenário de referência, o BC projeta a inflação com a hipótese de manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,00 e da taxa Selic em 8,5% ao ano em todo o horizonte da previsão. Nesse mesmo cenário, para 2013, a estimativa para a inflação oficial caiu na comparação com maio, mas segue “acima do valor central de meta”.

Já no cenário de mercado, que leva em conta a trajetória de câmbio e de juros prevista pelos analistas de mercado na pesquisa semanal Focus realizada pelo BC, a previsão para o IPCA em 2012 manteve-se estável “em torno do valor central da meta para a inflação”. Para 2013, a projeção para a inflação no cenário de mercado caiu, mas está “acima do valor central da meta”.

Cenário externo

O cenário externo teve piora desde maio, o que contribui para maior aversão ao risco entre investidores e piores estimativas para o desempenho da economia, avaliam os diretores do Copom na ata. “A economia mundial enfrenta período de incerteza acima da usual, com elevada aversão ao risco e perspectivas de baixo crescimento, as quais se intensificaram desde a última reunião”, cita o documento no trecho 12. No parágrafo equivalente da ata de maio – o 11 – não havia menção à intensificação desse comportamento.

Entre os argumentos do BC, os diretores afirmam que dados “sugerem certo arrefecimento da atividade nos Estados Unidos, em ambiente de riscos associados ao quadro fiscal e ao recrudescimento da crise europeia”. “Persistem riscos elevados para a estabilidade financeira global, devido ao nível ainda elevado de incerteza política e às dificuldades de implementação de medidas recentemente anunciadas”, completam os diretores do BC.

Além de destacar o desempenho fraco da economia, o Copom nota que há pouca margem para reação. “Altas taxas de desemprego por longo período, aliadas a necessidades de ajustes fiscais, ao limitado espaço para ações de política anticíclicas e à incerteza política, traduzem-se em projeções de baixo crescimento em economias maduras”, cita.

Entre os argumentos, os diretores do BC notam que indicador antecedente divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a junho, “aponta atividade abaixo da tendência na zona do euro e nas principais economias emergentes, além de moderação na atividade no Japão e Estados Unidos”. Em igual trajetória, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) “sugere moderação na atividade global, principalmente na atividade manufatureira” em junho.


Sobre a política monetária, o BC brasileiro nota que economias avançadas “persistem com posturas fortemente acomodatícias, sendo que o Banco Central Europeu reduziu a taxa básica de juros ao menor nível histórico, e o Banco da Inglaterra retomou medidas de estímulo quantitativo”.

Nos emergentes, a estratégia é semelhante. “Nas economias emergentes, de modo geral, o viés da política monetária se apresenta expansionista, o que se conjuga, em alguns casos, com políticas anticíclicas adicionais”, cita o documento. Entre os aspectos destacados, o BC nota que a China “promoveu, em junho e julho, dois cortes consecutivos nas taxas de juros de referência para depósitos e empréstimos”.

Demanda doméstica

O Copom repetiu a avaliação de que a demanda doméstica tende a permanecer “robusta”, “especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito”, cita o trecho 32 da ata.

Para os diretores do BC, o quadro de demanda interna robusta “tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos”.

Outro aspecto destacado sobre a demanda interna está no setor público. Até maio, os diretores do BC afirmavam que existiam iniciativas que reforçavam “cenário de contenção das despesas do setor público”. Agora, o tom mudou e mostra reflexo do aumento das despesas do governo. Mesmo assim, a influência não chega a ser “inflacionária”, é “neutra”. “O Comitê pondera que iniciativas recentes apontam cenário de neutralidade do balanço do setor público”.

“O Comitê nota que se apresenta como importante fator de contenção da demanda agregada o ainda frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”, completa o trecho 32 do documento.

O Copom manteve a leitura de que os riscos para a inflação parecem ser “limitados”, conforme diz o parágrafo 30 da ata. Nesse mesmo trecho, os diretores observam que “o Comitê nota ainda que, até agora, dada a fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionaria”. A percepção é idêntica à divulgada em maio.

O Banco Central manteve a avaliação de que a recuperação do ritmo de crescimento da economia brasileira tem ocorrido de maneira “bastante gradual”. “O Copom avalia que a recuperação da atividade econômica doméstica tem se materializado de forma bastante gradual”, cita o parágrafo 29 da ata.

Apesar de reconhecer que a economia avança lentamente, os diretores do BC destacam que a velocidade deve ser maior no 2º semestre de 2012. “Por outro lado, menciona que o cenário central contempla ritmo de atividade mais intenso neste semestre”.

Nesse trecho do documento, os diretores do BC afirmam que o grupo “identifica recuo na probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais”.

Apesar disso, o BC “pondera que desenvolvimentos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, e que continuam elevados os riscos associados ao processo de desalavancagem – de bancos, de famílias e de governos – ora em curso nos principais blocos econômicos”.


Ainda indefinido, o cenário compõe “um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza muito acima do usual”. “Para o Comitê, o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, manteve sinais favoráveis”. O parágrafo termina com a observação de que “no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012”.

Commodities

O BC manteve a avaliação de que o atual quadro internacional sugere trajetória de queda para os preços das commodities. “É plausível afirmar que a redução nas metas de crescimento da China, aliada à fragilidade da economia mundial, tende a gerar pressões baixistas sobre os preços de commodities”, cita a ata no trecho 13.

“O preço do barril de petróleo do tipo Brent tem oscilado em torno de US$ 100 desde a última reunião. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco”, cita o documento do BC.

A ata lembra ainda que a alta volatilidade recente dos preços das commodities “foi influenciada pela ampla liquidez global, em contexto no qual os mercados financeiros se ajustam às novas expectativas de crescimento e à volatilidade nos mercados de câmbio”.

Salários

O Banco Central alterou o termo usado para falar sobre os riscos em relação ao aumento de salário em ritmo superior à alta da produtividade. No parágrafo 28 da ata, os diretores do BC afirmam que “um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação”.

Em maio, os diretores do BC diziam que tal descompasso gerava “um risco importante”. Nesse trecho, a ata da reunião do Copom cita que são “decrescentes os riscos derivados da persistência do descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda”. O documento chama atenção, porém, que há “estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado”.

Ainda sobre os fatores da economia, o BC nota que, por outro lado, “o nível de utilização da capacidade instalada tem se estabilizado e se encontra abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços”.

Crédito

O Banco Central manteve a avaliação de que o mercado de crédito segue com crescimento “moderado”. Nesta ata, os diretores afirmam no parágrafo 27 que “o cenário central também contempla expansão moderada do crédito”. Ainda sobre o mercado de empréstimos, os diretores repetem a avaliação de que são “oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito”.