Copom chegou a discutir benefícios de fim de cortes de juros

Ata da reunião realizada na semana passada mostra que os membros do BC discutiram a antecipação tempestiva do ciclo de afrouxamento monetário

São Paulo – O Banco Central chegou a discutir os benefícios da antecipação tempestiva do ciclo de afrouxamento monetário, mas julgou mais benéfico sinalizar o encerramento gradual diante das circunstâncias atuais de inflação baixa e indícios de recuperação econômica.

“Um processo gradual facilita a comunicação e permite o acúmulo de mais evidências sobre o comportamento da economia à época de encerramento do ciclo”, apontou o BC por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira.

“Avaliando as circunstâncias atuais, o Copom julgou conveniente sinalizar que, caso o cenário básico evolua conforme esperado no momento, o Comitê antevê encerramento gradual do atual ciclo de flexibilização monetária”, completou o comunicado.

Na semana passada o BC cortou a taxa básica de juros novamente em 1 ponto percentual, levando-a a 8,25 por cento ao ano, e indicou que vai desacelerar o ritmo de reduções de forma gradual, mensagem reforçada na ata.

Os membros do Copom ainda repetiram que o processo de flexibilização monetária continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

“A importância da ata é que ela explica melhor a estratégia gradualista do final do ciclo adotada pelo BC. Traz uma racionalidade sobre a estratégia adotada e reforma a comunicação já feita no dia da decisão”, afirmou o economista-chefe da Votorantim Corretora, Roberto Padovani.

Sobre a inflação, o BC destacou na ata a surpresa desinflacionária da queda intensa dos preços dos alimentos, explicando que esse fator responde por parcela relevante da diferença entre as projeções de inflação para 2017 e a meta.

O IPCA acumula em 12 meses até agosto alta abaixo de 2,5 por cento, o que fica bem aquém do piso da meta oficial –de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual.

Os membros do Copom, porém, avaliaram que os níveis baixos de inflação vêm melhorando o poder de compra da população, o que contribui para a retomada da economia e gradualmente levará a inflação em direção à meta ao longo de 2018.

No comunicado da decisão de política monetária, a autoridade monetária já havia diminuído a projeção de inflação pelo cenário de mercado para em torno de 3,3 por cento em 2017, de 3,6 por cento antes. Para 2018, a perspectiva de alta do IPCA subiu a 4,4 por cento, contra 4,3 por cento.

A mais recente pesquisa Focus que o BC realiza semanalmente com uma centena de economistas mostra que a expectativa é de um corte de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de outubro.

Contudo, os economistas consultados reduziram a projeção para a taxa básica de juros no final deste ano a 7 por cento, de 7,25 por cento antes, enquanto que para 2018 foi a 7,25 por cento, de 7,5 por cento.

Juros mais baixos podem ajudar a consolidar a recente melhora no consumo e no mercado de trabalho, que contribuiu para o crescimento econômico acima das expectativas no segundo trimestre.

O BC voltou a destacar, no entanto, que a questão fiscal permanece sendo um fator de risco. O governo buscar retomar as negociações no Congresso para que a reforma da Previdência seja aprovada.

“A aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia”, apontou a ata.