Construção civil deve crescer acima do PIB, aponta Dieese

A estimativa indica um cenário de atividades mais favoráveis ao setor do que o previsto na média para o conjunto de todos os setores

São Paulo – A continuidade dos financiamentos para a casa própria e as grandes obras de infraestrutura na preparação do país para sediar a Copa do Mundo, em 2014, entre outros programas de melhoria associados à expansão econômica brasileira, vão garantir que, neste ano, o setor da construção civil se mantenha em alta. É o que mostra um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Segundo o Dieese, os empresários do setor acenam com a possibilidade de um crescimento em torno de 8,5%. Essa taxa está um pouco abaixo do resultado registrado no ano passado (11,6%), período em que o setor atingiu o seu melhor desempenho nos últimos 24 anos. No entanto, essa estimativa indica um cenário de atividades mais favoráveis à construção civil do que o previsto na média para o conjunto de todos os setores. A previsão para o crescimento do Produto Interno Brasileiro (PIB), que é a soma das riquezas produzidas pelo país, é de 4,5% – ante um crescimento de 7,5% no ano passado.

“Muitas atividades que estão recebendo investimentos, sejam públicos ou privados, influenciam, diretamente a cadeia de construção, como a ampliação e a construção de novas fábricas, shoppings, centros de compras, construção e reformas de postos de saúde, entre outras”, diz o estudo.

O estudo destaca o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 1, lançado em 2007, que destinou R$ 657,4 bilhões em investimentos para um período de três anos. Desse total, R$ 216,9 bilhões se referem ao financiamento habitacional para pessoa física.

Já a segunda etapa do PAC, lançada em março do ano passado, prevê investimentos de R$ 1,59 trilhão, sendo R$ 955 bilhões entre 2011 e 2014. Desse total, R$ 278,2 bilhões foram reservados para o Programa Minha Casa Minha Vida e R$ 109 bilhões para a área de transportes, com obras de construção de rodovias, de aeroportos, da malha ferroviária, de portos e hidrovias. Os recursos incluem ainda mais R$ 57,1 bilhões para o Programa Cidade Melhor que prevê a melhoria do sistema de saneamento, prevenção de áreas de risco, mobilidade urbana e pavimentação.

O estudo do Dieese ressalta que, para receber o grande número de pessoas que virão ao país para assistir aos jogos ou trabalhar na Copa do Mundo de Futebol de 2014, as cidades que sediarão os jogos terão de “melhorar a mobilidade urbana e as instalações de estádios e arenas esportivas em ações com parcerias entre o governo federal e os governos estaduais e municipais e envolverão também os clubes de futebol”. Os investimentos estão estimados em R$ 17 bilhões dos quais R$ 11,4 bilhões para a mobilidade urbana e R$ 5,7 bilhões para os estádios.