“Consistência, clareza e comunicação” geram BC com credibilidade

A receita foi dada por Patricia Mosser, especialista em bancos centrais, em entrevista da UM Brasil antecipada com exclusividade para EXAME

São Paulo – Consistência, clareza e comunicação: estes são os três elementos que fazem com que um Banco Central tenha credibilidade.

A receita foi dada por Patricia Mosser em entrevista da UM Brasil antecipada com exclusividade para EXAME.

“A credibilidade no universo dos bancos centrais, assim como em outras coisas na vida, é algo difícil de conseguir e fácil de perder”, diz ela.

Professora e pesquisadora da Escola Internacional de Políticas Públicas da Universidade de Columbia, Mosser trabalhou por mais de 20 anos no Federal Reserve e é especialista em bancos centrais.

Segundo a professora, a experiência de outros países foi “útil” para a atual diretoria do Banco Central do Brasil no processo que levou a inflação para abaixo do piso da meta pela primeira vez.

Ela comparou o desafio que o Brasil enfrentou com o dos Estados Unidos nos anos 80, quando o país experimentou uma inflação muito alta e uma recessão profunda ao mesmo tempo.

A entrevista com a jornalista Thais Heredia foi gravada em dezembro, quando Mosser participou do fórum “A Mudança do Papel do Estado – Estratégias para o Crescimento”.

O evento foi realizado pela UM BRASIL, uma iniciativa da Fecomercio SP, com a parceria do Columbia Global Centers do Rio de Janeiro, um braço da Universidade Columbia, de Nova York.

Estabilidade e independência

Mosser destaca que os bancos centrais, além de perseguir uma inflação estável sem gerar grandes flutuações de atividade e desemprego, também têm entre seus objetivos manter a estabilidade financeira.

“Quase todos os bancos centrais, por exemplo, em casos de emergência, podem fazer empréstimos de emergência para bancos e instituições financeiras”, diz ela.

No entanto, o foco real neste objetivo “é algo que vai e vem”,  com risco de complacência das instituições quando os outros indicadores parecem saudáveis.

E a independência formal, é pré-requisito para um Banco Central ter credibilidade? Mosser relativiza:

“Por mais surpreendente que seja, a resposta varia bastante ao redor do mundo. O Brasil não está sozinho em ter um acordo, digamos assim, com o governo ao invés de uma lei formal”.

Ela nota que mesmo uma independência formal não significa que o BC não responde ao público, e sim que ele tem metas de política colocadas por lei. A independência é dos meios para atingir as metas.

“Um sistema de freios e contrapesos é sempre necessário, claro. Às vezes eu tenho medo que a palavra ‘independência’ dê a impressão de que o Banco Central pode fazer o que quiser, e isso obviamente não é o que queremos dizer”, diz ela.

Veja a entrevista na íntegra: